Investigar é um verbo que sempre fez parte do vocabulário dos jogadores que gostam de uma boa aventura, nomeadamente das chamadas aventuras gráficas mais conhecidas como point’n’click. Nestas obras há toda uma atenção ao detalhe que deve ser dada: aos diálogos entre as personagens, a objetos que possam estar escondidos nos cenários ou à própria resolução de um puzzle que não vemos e pode estar especada à nossa frente. Sinceramente, acho que são os policiais que conseguem implementar melhor elementos de investigação. Mas sou bastante suspeito por ter esta opinião, afinal os policiais são o género literário que mais gosto de ver adaptado a videojogo. Ainda hoje me questiono: “Como é que não há mais jogos adaptados das mais de seis dezenas de obras da Agatha Christie, rainha da literatura policial?”. Enfim, pelo que vi e investiguei estes três jogos em produção vão ser muito curiosos de acompanhar e de, obviamente, jogar quando ficarem disponíveis.

The Rise of the Golden Idol

Color Gray Games – Letónia

2024 – Android, iOS, Nintendo, PC, PlayStation, Xbox

Criado pelos irmãos Kļaviņš, The Rise of the Golden Idol é a sequela do êxito indie de 2022, da Color Gray Games, The Case of the Golden Idol. Nesta nova aventura, os jogadores vão poder mergulhar ainda mais fundo num mundo de mistério e investigação, explorando eventos estranhos e macabros ao longo de várias décadas, três séculos depois dos eventos do jogo original. Com uma narrativa intrincada e puzzles desafiantes, The Rise of the Golden Idol promete expandir e enriquecer o universo estabelecido, oferecendo aos apreciadores de investigação uma experiência ainda mais envolvente e complexa do que o título de 2022.

As mecânicas de investigação do jogo são similares às obras clássicas de aventuras gráficas, mas com sistemas modernizados, para desafiar os jogadores a vasculhar cenas de crime, interrogar testemunhas e juntar pistas para descobrir a verdade por detrás de cada caso misterioso. A estrutura não linear e os múltiplos caminhos para as soluções dão aos jogadores liberdade na abordagem da investigação, o que aumenta ainda mais a possibilidade de se jogar várias vezes esta obra. Com quinze casos únicos para resolver, cada um com vários caminhos e finais, The Rise of the Golden Idol oferece argumentos substanciais para que os jogadores se sintam interessados em adquirir o jogo, ainda este ano.

Albert Wilde: Quantum P.I. 

beyonsthosehills – Grécia

3º trimestre de 2024 – PC

A produtora grega beyondthosehills localiza-se no berço da democracia, em Atenas, Grécia. Fundada por Maria Aloupi e Andreas Diktyopoulos, a produtora independente é constituída por um conjunto de colaboradores de várias áreas disciplinares, como músicos, artistas gráficos e programadores. O importante é que estão todos focados em levar o seu talento artístico ao mundo dos videojogos. Com Albert Wilde: Quantum P.I., está é a terceira vez que juntam os seus esforços para fazer um videojogo que já provaram saber fazer com The Minims e Reky, duas experiências em dispositivos iOS e Android aclamadas pela crítica.

Depois de fazerem um jogo de puzzles, Reky, a beyondthosehills está a preparar um jogo de comédia e mistério, com elementos de ficção-científica e de policiais noir. Albert Wilde: Quantum P.I. levará os jogadores por uma Nova-Iorque dos anos trinta, onde as personagens são animais antropomórficos, neste caso em concreto serão um felino detetive privado que investigará o aparecimento de um misterioso e estranho cadáver. Vão andar, subir, falar e resolver puzzles neste jogo deliberadamente monocromático e com uma escala 4:3 das televisões mais antigas, como as saudosas CRT.

Death Corp. 

Alberto Costa – Espanha

Data de lançamento não definida – PC

Esta obra do ilustrador espanhol Alberto Costa, que colaborou em 2020 no point’n’click da Warm Kitten, Justin Wack and the Big Time Hack, quis aventurar-se sozinho, novamente, na criação de um jogo deste género. Aparentemente, segundo Costa, o Kickstarter é a plataforma ideal para juntar apreciadores do género point’n’click para este darem vida, com as suas contribuições monetárias, a este tipo de jogos. Felizmente, Death Corp., o próximo labor do ilustrador e animador ibérico, foi fundado com mais de trinta e um mil euros.

Este terceiro e último jogo deste lote, é um infiltrado, dado que não se encaixa propriamente no tema da investigação. Contudo, dado que é um jogo point’n’click, é um jogo que terá, naturalmente, elementos de investigação. Enquanto jogador que resolverá enigmas, puzzles ou charadas, mesmo que o tema não seja o pretendido, as mecânicas são de investigação pura e dura. Aqui somos um rapaz à procura de emprego quando a incarnação ocidental da morte, o Grim Reaper, lhe dá uma oportunidade para preencher uma vaga na sua empresa,  Death Corp., que dá nome ao jogo. Pelas ilustrações que podem ver no Kickstarter, ou no próprio vídeo promocional, vão poder ver que se trata de uma comédia à boa forma dos velhinhos clássicos da Lucas Arts, por isso não poderia estar mais entusiasmado com a produção desta obra, que espero não demorar muito tempo a ser concluída. Além da própria investigação, é sempre bom podermos rir com o que jogamos.