
‘Tá quase… vá lá, vê se desta vez tem um Mew’; ‘Anda… deixa lá esse Celbi aí e talvez tenhas uma surpresa’; ‘Articuno e Misty no 1º turno? E saírem logo três energias no moeda ao ar? Cheater, cheater!’, estas são apenas algumas das frases que possivelmente já foram proferidas por milhões de utilizadores do novo jogo de mobile Pokémon Trading Card Game Pocket.
Publicado em Outubro de 2024, este jogo rapidamente encontrou espaço na minha rotina diária, começando logo pela manhã cedo com a abertura de uma nova carteirinha, onde o suspense de entra em cena, relembrando aquela expectativa da minha infância e juventude. De seguida encaixou um par de combates para receber uns bilhetes para trocar na loja digital que nos permite dar umas ajuda na obtenção de mais carteirinhas (a que eu chamo bilhete-de-refeição já que irei trocar por umas ampulhetas para abrir mais saquetas de cartas).
Num simples clique, sinto-me a regressar aos tempos em que estava no recreio a jogar com os meus amigos ou quando ia em direcção ao quiosque junto da minha casa para adquirir mais umas saquetas. Contudo, agora não tenho de sair de casa ou gastar qualquer euro que seja para engordar este novo/velho vício, permitindo-me construir uma biblioteca digital vasta com estas figuras que fizeram parte do meu crescimento. Bem, mas vamos ao que importa… há alguma particularidade que faça valer a pena instalar a aplicação e começar a construir baralhos, procurando encontrar uma sincronia entre as várias cartas adquiridas e entrar em choque com rivais digitais?

Se forem fãs acérrimos de Pokémon, diria que é obrigatório, até porque o Pokémon Trading Card Game Pocket fez um serviço brutal no apresentar dos desenhos em cada carta, oferecendo sempre aquela centelha de surpresa que nos fazia ir aos céus na nossa infância e juventude (e para aqueles que continuaram a coleccionar na idade adulta, também).
Se forem fãs, sem ser totalmente fanáticos, diria que deviam experimentar não pela questão do coleccionar cartas e tentar adquiri-las todas, mas para tentar mergulhar naquele que é talvez o aspecto mais viciante: os combates. Este 1×1 impõe uma série de virtudes (e problemas), a começar pelas diversas estratégias que ambos podem apresentar. Nem sempre vai correr bem, especialmente para quem entrar agora, uma vez que uma boa parte dos utilizadores que começaram no início já têm “decks” artilhados, requerendo a vossa total paciência para entrarem no ritmo.
Com o tempo, e a obtenção de novas cartas, vão começar a conseguir trocar golpes com os ‘veteranos’, ganhando calo e experiência naquilo que pode ser um jogo de xadrez, damas ou de pura e total sorte. Se há combates que podem durar mais de 10/15 minutos, sendo decidido só quando já não há cartas no baralho, há outros que podem terminar logo no primeiro ou segundo assalto. Como? Bem antes de ir tão fundo, importa dizer que para além das cartas de Pokémon, vão também surgir ‘Cartas de Apoiador’ (pelo menos é assim que surge na tradução da aplicação) ou ‘Cartas de Item’ com ambas a terem propriedades que podem dar uma ajuda extra ao utilizador. As ‘Cartas Apoiador’ só podem ser utilizadas uma vez a cada turno, existindo uma que pode garantir um KO imediato aos utilizadores de um baralho de ‘água’, bastando para isso colocar um Articuno EX.

Parece complexo, mas a seu tempo vão perceber o que quero dizer. Por outro lado, com a nova expansão da ‘Ilha Mística’, chegou Celbi e uma das cartas mais ‘overpowered’ de sempre, já que este super bichinho só precisa duas energias para atacar e infligir 50 pontos de dano por cada moeda ao ar. Aterrorizante, correcto? Depois também há o combo Mewtwo/Gardevoir que pode criar um cenário também ele aterrorizante. Como vêem, de repente, falei de três estratégias que podem ser construídas facilmente ao fim de uns dias de dedicação, ou de semanas sem grande entrega. Ao fim de algum tempo, podem vir a construir os vossos próprios baralhos, criados do nada e que podem começar uma tendência internacional!
Como nota pessoal nesta parte, já concebi dois baralhos em que vos aconselho a testar. Um dedicado a um combo entre Wigglytuff EX (com três energias coloca o polémon adversário no campo activo a dormir) e Greninja, com ajuda de um Articuno e umas quantas outras cartas. Outro, a que dei o nome de ‘Dragon’s Flight’ é construído com Aerodactyl EX + Dragonites + Druddigon com uma ajuda de Meowth. Pode parecer uma língua qualquer perdida no tempo, mas quando começarem a mergulhar nesta aventura, vão perceber o impacto de cada estratégia.
Mas antes de partirem para os combates, aconselho-vos a fazerem todos os combates a solo contra o IA, que oferece uma série de missões para vos ajudar a obter mais cartas, carteirinhas, ampulhetas de tempo, etc.

Em termos de aspectos negativos, devo dizer que o jogo puxa pela bateria do telemóvel (ou computador, caso consigam instalá-lo) como poucas aplicações o conseguem, e que se fazerem uso dos dados móveis, também tem um certo peso nesse parâmetro. Outro ponto menos bom, é o facto de existirem alguns quantos batoteiros à solta, com as moedas e as primeiras cartas a serem as mais desejadas ou que podem acelerar os combates a favor deste. Alguns youtubers e críticos têm assinalado que o IA parece estar a beneficiar todos aqueles utilizadores que pagam pela subscrição mensal, mas não está comprovado esta teoria.
Posto isto, penso que o melhor é experimentarem esta brincadeira da Creatures Inc. e da DeNA, com anuência da The Pokémon Company, e tentarem fazer parte de um universo de milhões de utilizadores que têm se digladiado todos os dias, sendo que se espera uma nova actualização onde será possível trocar cartas com os vossos amigos digitais. Partilhem as vossas experiências, digam como tem corrido a vossa viagem e enviem pedido de amizade para no futuro trocarmos umas cartas!













