
Mais do que a máxima “não dês o peixe, mas ensina a pescar”, diria que muitos dos quase 2000 indies que me passam pelas mãos todos os anos seguem antes a máxima “apresenta-me um jogo de sucesso e faz antes uma coisa mais ou menos parecida”.
As semelhanças de Warden’s Will com Risk of Rain 2 são longe de inocentes, e diria até, propositadas. Mas o que difere entre este shooter na terceira pessoa com elementos roguelite, desenvolvido pela ELYZIO lançado a 8 de janeiro de 2025 e esse sucesso da Gearbox, é um mundo de diferença.

Warden’s Will quis destacar-se da sua musa pelo seu combate intenso no estilo bullet hell e pela possibilidade de ser jogado a solo ou em modo cooperativo online para até três jogadores, adicionando a tudo isto a possibilidade de voo, que apesar de divertido, se esgota rapidamente.
Podemos escolher entre diferentes Wardens, cada um com a promessa de habilidades de movimento únicas, mas que se centram sobretudo na habilidade ultimate, visto que o tipo de tiro depende exclusivamente das armas que escolhemos. E essas dão para todos os Wardens.
Estas habilidades únicas de locomoção permitem uma navegação dinâmica pelos ambientes verticais do jogo, incentivando-nos a adoptar estratégias variadas durante os combates, seja a solo ou com ajuda. Porém, sinto que o sistema de progressão roguelite aplicado a Warden’s Will oferece uma limitada gama de melhorias e de armas exclusivas, fazendo-nos sentir uma repetição muito notória dos parcos desafios que o jogo nos apresenta.

Em cada run temos uma sucessão de cinco “níveis” que temos de ultrapassar, e em cada um temos de conseguir activar três transmissores sem que as hordas de robots nos derrotem. Depois deste processo encontramos um boss, e se o vencermos, podemos dar como bem-sucedida a nossa missão.
A dificuldade é relativamente elevada a solo, dado que a diferença de dano causado entre as nossas balas comuns, e o ataque ultimate que temos de carregar é muito grande. Sinto que a meta-progressão poderia afectar isto mesmo: a afinidade de cada warden às diferentes armas, mas infelizmente isso não acontece, deixando-me a questionar também da superficialidade do elemento roguelite.

Mas – e surpreende-me que este jogo não tenha o carimbo de Early Access – é que o conteúdo disponível tem apenas dois bosses e muito pouca razão para rejogarmos o jogo, mesmo com uma actualização recente que introduziu novos conteúdo como uma segunda forma para o boss Shy King, um novo boss chamado Dragonfly e novos inimigos intitulados de Healer e Biter. Mas nada disto disfarça o que é um jogo divertido, mas com uma notória falta de conteúdo.
Warden’s Will prova que se queremos inspirar-nos em algo, convém, no mínimo, que consigamos estar perto do patamar dessa inspiração. É que para quem quiser jogar este jogo, diria que os 8,24€ em promoção do Risk of Rain 2 são mais bem empregues.













