
Eu deveria ter aqui à mão aquele meme do “say the line, Bart” para a quantidade de vezes que me refiro a um jogo indie excelente que foi finalista do Indie X, mas que culpa tenho eu dos melhores jogos independentes figurarem naquele que é o melhor festival do género de todo o mundo?
(depois de duas palmadinhas nas minhas próprias costas, de fazer o gesto de sacudir caspa dos ombros, regresso ao artigo, mais composto)

Agora mais a sério: apesar da comunidade do Split-Chicken brincar com o facto de que muitas vezes identifico jogos indie com algum destaque global e que afinal estiveram no Indie X, é mais uma situação de ovo e galinha, onde se percebe que num evento com tantas candidaturas acabemos por ter os melhores e os mais originais.
E um desses casos é Big Helmet Heroes, um beat ‘em up desenvolvido pelo Exalted Studio e publicado pela Dear Villagers, lançado a 6 de fevereiro de 2025, para consolas e PC.
São óbvias as semelhanças com Castle Crashers, um dos primeiros indies que eu joguei, e que redescobri agora na companhia dos meus filhos. Mas depois de muitos níveis jogados a 2 em Big Helmet Heroes, sinto que essa comparação funciona como um elogio para este título da Exalted Studio, que soube reinterpretar o que fez do jogo do estúdio The Behemoth o sucesso que ele é.

Big Helmet Heroes leva-nos por uma experiência de combate lateral (que em níveis labirinticos passa a vista áerea) onde controlamos uns cavaleiros adoráveis em missões para salvar uma princesa. Temos 29 heróis desbloqueáveis à nossa disposição, cada um com estilos de combate e superpoderes únicos, numa jogabilidade simples e acessível, permitindo que qualquer jogador pegue num comando e o jogue facilmente.
Optando por um mundo tridimensional com ambientes detalhados e variados, Big Helmet Heroes apresenta-nos um estilo artístico vibrante e cartoonesco, onde os personagens – a par de Castle Crashers – são versões cabeçudas de guerreiros de diferentes períodos da História.
Como seria de esperar, o jogo suporta modo cooperativo local para dois jogadores, incentivando à nossa máxima colaboração para superar os muitos desafios, e com friendly fire nas muitas armas que podemos apanhar do chão, o que nos leva a situações divertidas de termos o nosso companheiro como dano colateral num combate frenético com tantos outros inimigos.

Para além da diversidade dos níveis, dos inimigos e das armas utilizáveis, sinto que um dos melhores momentos de Big Helmet Heroes está em descobrir os personagens desbloqueáveis. Seja a encontrar salas secretas, a cumprir objetivos como apanhas 10 abóboras ou ovos de dragão num nível específico, sinto que é uma forma justa de encontrarmos mais guerreiros.
Especialmente quando comparamos com Castle Crashers, que obrigava a um grind de níveis anormal e termos de fazer todo o mapa do princípio ao fim dezenas de vezes para encontrar todos os personagens.

Aliás, a falta de level up dos personagens é algo que na realidade me agrada, quando comparado com a sua musa inspiradora. Em Big Helmet Heroes não só vamos encontrando personagens com estilos que se ajustem melhor à nossa forma de jogar, como o desafio é progressivo, e a forma de o enfrentarmos é tornarmo-nos melhores e não a fazer grind de níveis para sermos mais fortes.
A ideia que tinha quando o recebemos no Indie X não foi apenas confirmada, mas expandida: Big Helmet Heroes é uma das melhores experiências beat ‘em up cooperativas que joguei em muito tempo. Uma clara inspiração em Castle Crashers divertida e acessível, com muitos personagens para desbloquear e uma grande camada de identidade que é só sua.













