Num período alargado do Ensino Secundário equacionei em licenciar-me em Engenharia Civil, um compromisso académico que queria fazer entre a minha paixão por Ciência e pela Arte. Ainda resvalei numa janela curta para a Arquitectura, mas seria o Design a conquistar-me. Mas naquele período havia algo na edificação de cidades e e edifícios que me espantavam, provavelmente fruto do estudo em História de Arte das modificações que Lisboa sofreu após o Terramoto até ao Estado Novo.

Não sei se é daí que vem a minha paixão por city builders, mas admito que me perco na organização urbana que os videojogos me trazem, um sucedâneo para uma carreira que acabei por não seguir.

Um desses casos é um jogo lançado em Acesso Antecipado no dia 22 de maio de 2025 para PC via Steam e que se intitula City Tales – Medieval Era, é o primeiro título do estúdio francês Irregular Shapes, e publicado pela editora Firesquid. Este jogo de construção de cidades propõe uma abordagem diferente ao género, que apesar de não ser inovadora, deixou-me com muita curiosidade para me perder, por horas a fio.

Distinto dos tradicionais sistemas de grelha, City Tales permite-nos que desenhemos os distritos de forma livre, onde podemos adaptar o terreno às necessidades dos cidadãos, e ao nosso planeamento urbano. Com a utilização de geração procedural em cada uma das mais de 60 construções disponíveis, isto permite-nos criar localidades verdadeiramente únicas, reflectindo as escolhas e o ambiente ao nosso redor, resultando em cidades orgânicas que evoluem naturalmente ao longo do tempo.

O jogo oferece-nos uma economia complexa, com mais de 50 tipos de recursos para recolher, produzir e distribuir, obrigando-nos a pensar no posicionamento estratégico de edifícios, como colocar os mercados próximos a florestas ou igrejas em colinas, influenciando directamente na prosperidade das regiões. Para além disso, é possível construir “Maravilhas”, como catedrais e castelos, que simbolizam o progresso e a grandiosidade da cidade.

Um elemento interessante de City Tales é o sistema de “companheiros”, que sãp personagens que agem como conselheiros e colaboradores na construção da cidade, possuindo habilidades específicas e histórias próprias, que se desenvolvem mediante as nossas decisões.

É fácil vê-lo como um “cozy game“, já que me tem conduzido numa experiência tranquila, sem pressões de tempo ou conflitos militares, onde o foco está na criatividade, no planeamento cuidadoso e na satisfação de ver a cidade crescer e prosperar. 

Em termos de satisfação, é possível desenharmos distritos na nossa cidade e perceber quais as necessidades desse segmento urbano, obrigando-nos a conhecer a nossa povoação pelas diversas partes que a compõem.

City Tales – Medieval Era está disponível em Acesso Antecipado e possui já muito conteúdo, e largas horas de rejogabilidade para que lhe conheçamos todos os elementos e características. Com o seu cruzamento entre uma abordagem mais relaxada na gestão da cidade e a liberdade de construir sem estarmos presos a uma grelha, faz deste city builder um dos mais promissores que joguei em largos meses.