
Há um mês falava do verdadeiro acaso que motivou a chegada de 2 jogos indie com a mesma abordagem, tycoons de escolas de magia, e ainda não percebi o porquê da coincidência. Talvez seja apenas isso, ou existe algum motivo que desconheço que tenha levado dois estúdios distintos a desenvolver um jogo com esta abordagem.

Se há um mês falámos de Fool’s Apprentice, hoje é tempo de nos debruçarmos sobre o segundo jogo similar que jogámos, desta feita Wizdom Academy, desenvolvido pelo estúdio suíço Kipwak Studio, um título de simulação e gestão que também nos coloca no papel de reitor de uma escola de magia.
The Fool’s Apprentice: Dumbledore da Universidade Independente
Lançado em Acesso Antecipado no Steam em Abril de 2025, Wizdom Academy mistura elementos de city-builder, tycoon, estratégia e fantasia, com o objectivo de criar e gerir uma academia mágica desde o zero. É curioso que vivamos numa época em que os jogos de gestão tendem a repetir fórmulas, mas que Wizdom Academy se tente destacar ao conjugar mecânicas familiares com uma abordagem próxima de Harry Potter, mas fá-lo ao mesmo tempo que outro jogo muito similar chega ao mercado.
A nossa missão é clara: temos de construir salas de aula, dormitórios, laboratórios de poções, bibliotecas arcanas e espaços para disciplinas como golemancia ou transfiguração, enquanto gerimos o quotidiano de estudantes e dos docentes. A manutenção da ordem mágica exige o domínio de recursos como mana – aqui transformado num elemento central da jogabilidade – e uma atenção constante às exigências da direcção, ao equilíbrio financeiro e à reputação académica. Tudo isto é apresentado com uma direcção artística low-poly colorida, que contribui para uma atmosfera leve, mas nem por isso superficial.

Fazer comparações com sucessos recentes do género como Two Point Campus são inevitáveis, mas diria que Wizdom Academy introduz algumas ideias próprias que lhe conferem a sua própria identidade.
Entre estas, e talvez a que mais me agrada e me lembra o ambiente de Harry Potter é o sistema de expedições: os alunos, uma vez preparados, podem ser enviados para masmorras ou aldeias próximas para resolver conflitos, explorar ruínas ou obter artefactos raros, o que acrescenta um toque de aventura a este tycoon mágico. Por outro lado temos também decisões que afectam o rumo da academia, e pequenos mistérios por desvendar com eventos aleatórios que têm influência na nossa prestação enquanto reitores.

No seu estado actual em Early Access, Wizdom Academy é uma boa proposta, com um foco maior na construção de salas que Fool’s Apprentice, mas ainda está bastante inacabado, e quem procura uma experiência polida e completa poderá querer esperar pela versão final. Mas para quem quer já brincar com a ideia de gerir uma escola mágica à sua medida – com salas que crescem como cogumelos encantados, mestres feiticeiros excêntricos e alunos que podem tanto aprender como explodir com as salas de aula – há já muito para explorar e desfrutar.













