
Conseguem imaginar jogar Asteroids com a vossa nave presa ao fundo do ecrã? Pois foi exactamente isso que me pareceu Utopia Must Fall quando vi o trailer de lançamento, e isso ainda me fez pensar um bocado sobre o conceito de roguelike, já que quando era puto quando perdia o jogo também voltava ao início. Dito assim não parece tão original como isso.
Utopia Must Fall é um autoshooter onde a sua história diz que estamos a ser invadidos por máquinas alienígenas por razões e a nossa tarefa é defendermos as nossas cidades até à sua inevitável destruição.
Os efeitos sonoros são o grosso dessa componente. Há uma música de fundo calma quando não estamos a disparar e nas minhas notas até fiquei com a dúvida se esta também estava a correr enquanto se jogava, mas não, e não é precisa já que está sempre alguma coisa a acontecer e o jogo já é caótico o suficiente para ainda precisar de mais música para nos motivar.

Graficamente parece um jogo de ZX Spectrum numa trip de LSD, é esse mesmo ambiente de Asteroids com algumas naves de Space Invaders. A aparência retro funciona bem, cumprindo exemplarmente o seu propósito.
A jogabilidade é extremamente simples. Cada vez que o jogo começa é-nos atribuída uma cidade para protegermos as ondas de naves inimigas que vão surgindo a cada dia. Como já disse controlamos uma torreta fixa ao fundo do ecrã. A cidade tem um escudo que ampara alguns golpes, mas cada um deles vai-lhe tirando vida.
No final de cada dia podemos escolher um upgrade por entre algumas opções, mas de forma geral podemos melhorar a nossa torreta, investir na pesquisa de novas melhorias ou melhorar o nosso escudo. Se surgir a opção também podemos ir pedindo novas opções sem qualquer custo. Consoante vamos investigando vamos tendo mais opções para ajudar na nossa defesa, todas elas muito úteis.

É nesta escolha que reside toda a sabedoria e desafio do jogo, já que nos primeiros dois ou três dias conseguimos destruir tudo com relativa facilidade, mas rapidamente os alienígenas se vão tornando mais fortes, inclusive as unidades que são fracas nos primeiros dias, assoberbando-nos ao fim de algum tempo. Resumidamente, temos de saber escolher muito bem entre a colheita de benefício imediato com a melhoria da torreta ou do escudo, ou do investimento na pesquisa que pode já não chegar a tempo de ajudar, porém as opções que a pesquisa nos dá são, geralmente, muito mais fortes que o que temos de base, podendo numa fase inicial representar a possibilidade de lançar muito mais ogivas nucleares, peça fundamental para momentos de aperto, ou mesmo dar acesso a novas torretas automáticas que se tornam uma muleta essencial para destruir os milhentos mini-inimigos que começam a proliferar.
De tempo a tempos aparecem bosses, unidades muito mais fortes que as que aparecem em dias anteriores, que são um salto de dificuldade enorme para o qual não estamos preparados quando aparece pela primeira vez.

É um pouco neste ponto que acabei por embirrar com Utopia Must Fall. The Binding of Isaac foi o primeiro roguelike que joguei considerando essa nomenclatura moderna, mas agora já me custa estar a jogar sem ganhar nada no final de cada morte. Parece que estou a trabalhar para aquecer, ainda para mais quando é um jogo em que temos pouco onde a nossa perícia pode mesmo melhorar, e apenas a sorte na aleatoriedade dos potenciais upgrades que nos podem sair podem influenciar uma run.
Esta embirração não altera em nada o facto de Utopia Must Fall ser um jogo muito bem feito, barato, divertido, dinâmico e desafiante que nos leva a trabalhar para prolongar os nossos últimos dias o mais que podemos. Não é o jogo mais complexo que alguma vez joguei nem foi essa a pretensão do estúdio Pixel Jam, e se gostam do género irão gostar dele.













