Há 5 anos joguei Pro Cycling Manager 2020 e foi essa a minha última experiência nos simuladores de ciclismo. Há muito que sou mais um apreciador de simuladores que de ciclismo, mas a pressão de pares voltou a dar-me algum do bichinho. Quando pedi Tour de France 2025 não esperava, como é normal nestas franquias anuais, encontrar grandes mudanças no setup do jogo. Como eu estava enganado…

É na mudança gráfica que mais notei a diferença. O jogo agora é em Unreal Engine e o foco é muito maior no ciclista como elemento individual, do que nos eventos que vão acontecendo no pelotão, já que o campo de visão a isso mesmo obriga, e se por um lado isso realça todos os detalhes gráficos adicionados pelo Cyanide Studio, por outro torna mais difícil ter uma percepção global do que se vai passando e antecipar as movimentações de outros ciclistas.

Obviamente que o jogo é em terceira pessoa, se eu fosse um ciclista também não conseguiria ver para trás das costas com a mesma facilidade que vemos dentro de um jogo, mas mesmo assim é uma mudança assinalável.

Esse incremento de realismo traduz-se também noutras acções, como na dificuldade em nos movermos dentro do pelotão, obrigando a uma constante batalha por posicionamento de atletas chave, e se isso é possível de conciliar durante a etapa, quando esta começa, basta termos o azar de estarmos mal posicionados para já não conseguirmos acompanhar a fuga chave.

Embora não tenha valorizado isso, e não o considere minimamente fundamental, tenho que mencionar o cuidado em introduzir pontos de interesse reais nas paisagens das etapas, que embora sejam detalhes que acrescentam, tanto acrescento vaio dar uma carga enorme de trabalho de processamento gráfico, o que levou a uma performance que oscilava entre a razoável e a francamente má na minha Playstation 5, e isso sim corta muito da nossa atenção ao jogo, mas isso é o ponto negativo, porque Tour de France 2025 tem uma capacidade surreal de me fazer esquecer o mundo à minha volta 45 minutos de cada vez.

São esses cerca de 45 minutos que dura cada uma das etapas, independentemente do modo de jogo que se escolha, onde está o valor que o jogo oferece, já que a maioria dos nomes dos atletas e equipas é real, com fácil extrapolação para a realidade de quem não tem acordo, as estratégias são relativamente coerentes, o comportamento e características dos bonecos são verosímeis e as informações do nosso director técnico, se bem que repetitivas, são bastante úteis. Neste aspecto o que está mesmo pior conseguido é o detalhe dado a cada atleta, que individualmente parece deslavado.

Também tenho que dizer que, e sei que o orçamento para estes jogos não é o maior que existe, bem como o grupo de pessoas que o joga, mas as palavras de incentivo serem sempre as mesmas ao longo de todas as etapas é muito irritante.

Então 5 anos depois foi fácil chegar e pegar no jogo? Nem por isso. O tutorial ajudou um pouco a perceber como se jogava, mas o importante é perceber as estratégias. Há adições de qualidade de vida, mas também há novas mecânicas às quais precisamos de estar atentos. Se por um lado é um descanso não termos de ter um aguadeiro a ter que ir buscar bidões de água, por outro é aborrecidíssimo termos de ser nós a dizer individualmente a cada ciclista quando consumir a sua refeição, mesmo que lhe diga para fazer tudo para se aguentar, o que pode tornar os já longos 45 minutos de cada etapa muito maiores, caso queiramos optimizar toda esta gestão. Para somar a isso temos dois tipos de alimentação, e dois tipos de energia.

É compreensível existir uma energia mais explosiva e outra mais associada à resistência, cada uma gasta de forma distinta, já haver uma alimentação que apenas mexe com a energia explosiva, e essencialmente apenas serve para o sprint final já me parece algo excessivo.

Certo que todas estas adições oferecem diversidade estratégica. Raramente jogo o tempo suficiente para o meu boneco ou a minha equipa serem boas o suficiente para lutarem por grandes voltas, mas é relativamente simples programar a estratégia para ganhar a camisola da montanha ou mesmo a camisola dos pontos, com sorte… ambas! Considerando isso há a possibilidade de jogar fora da caixa em algumas situações, e nisso Tour de France 2025 continua a ser bom.

Numa modalidade muito associada ao doping, tenho que admitir que só de carregar nos botões do comando acabo por me cansar, não imagino como aqueles malucos aguentam aquilo! Haja bons motores nas bicicletas!!!

Tour de France 2025 não quer, e também já percebeu que não lhe compensa, inventar a roda. Eu pensava que eram mais ou menos iguais, mas é uma versão mais simplificada de Pro Cycling Manager, e nesse aspecto desempenha perfeitamente a sua função, sendo viciante na mesma medida que outros simuladores os são para os seus fãs. Não sei até que ponto vale a pena fazer o upgrade da versão anterior, mas eu também sou daqueles que todas as épocas passo para o novo Football Manager, por isso acredito que este também assim o seja.