Não sei algum dia iremos descobrir que de alguma forma vamos passando alguma codificação genética dos nossos gostos aos nossos filhos, ou se essa identificação é o “nurture” a sobrepôr-se à “nature”, mas a realidade é que vejo o meu filho mais velho cada vez mais interessado em jogos do tipo tycoon, management ou simulação. 

Nem por acaso acabou por ser ele o primeiro a experimentar Hotel Architect, um jogo indie de simulação e gestão hoteleira desenvolvido pela Pathos Interactive e publicado pela Wired Productions, que chegou ao Steam em Early Access a 20 de Maio de 2025. 

Notoriamente inspirado pelos Two Point Studios por combinar elementos de construção modular altamente personalizáveis com uma gestão detalhada e divertida, envolta num estilo visual leve, mas sobretudo dotado de um tom mais humorístico.

Cada edifício pode ser moldado ao nosso gosto, com pisos, divisões e decorações que vão desde o mobiliário ao papel de parede, passando por iluminação, mas até aos aromas ambiente, sem nunca descurar a funcionalidade do layout. Esta liberdade criativa é acompanhada por uma necessária componente estratégica: temos de contratar e gerir uma equipa diversificada de funcionários, desde recepcionistas a seguranças, cozinheiros e empregados de limpeza, todos com atributos únicos que influenciam o desempenho do hotel e  a satisfação dos clientes.

Os hóspedes foram concebidos com seis arquétipos principais, cada um com sensibilidades distintas ao ruído, conforto, limpeza e estética. O desafio reside em tentar agradar a todos eles, mantendo o equilíbrio entre eficiência operacional e a sua experiência. 

A estrutura de campanha leva-nos a gerir hotéis um pouco por todo o globo, e oferece-nos objectivos progressivos em diferentes cidades, enquanto o modo sandbox dá-nos uma abordagem mais livre e criativa, desbloqueada após o cumprimento de certos marcos nas campanhas.

Hotel Architect aposta fortemente no humor, com situações caóticas a surgirem com frequência, como um empregado de bar trapalhão que parte uma série copos ou um hóspede stressado a reclamar de pormenores que considera menos satisfatórios. Hotel Architect não chega ao nível de bizarria e absurdo dos jogos Two Point, mas este tom descontraído é reforçado pelo estilo gráfico colorido e caricatural, com personagens que parecem brinquedos. 

Este jogo foi lançado com um número limitado de locais e funcionalidades, mas o roadmap dos criadores promete adições para breve, que vão desde novos destinos como Nova Iorque e Las Vegas, passando por eventos sazonais, emergências, novas categorias de staff para contratarmos e ainda mais opções de personalização.

Apesar do seu ar cartoonesco, a profundidade da logística e algum nível de micromanagement tornam-no algo exigente, mas, para os fãs do género como eu e o meu filho, diria que até é um ponto a favor, levando a que a sua direcção de arte seja enganadora para o desafio estratégico que nos apresenta.

Hotel Architect consegue equilibrar a liberdade criativa da construção com os desafios de uma gestão hoteleira semi-realista, sem nunca perder o tom lúdico e o bom humor. Para aqueles que perdem noites inteiras com Two Point Hospital, RollerCoaster Tycoon ou The Sims, mas que quiram ter uma experiência digital no sector da hotelaria, Hotel Architect, apesar de ainda em Early Access, demonstra-se desde já bastante promissor.