
Quando a Xbox lançou o programa Live Arcade, muito contra a maioria dos seus executivos, foi um sucesso quase imediato, levando a que aparecessem pequenos jogos indie muito populares. Limbo foi um desses, e desde aí que alguns tentam recuperar algum do seu ambiente sem propriamente o conseguirem. Mal comecei a jogar Antro foi dele que me lembrei, mas conforme fui avançando, percebi que está a anos-luz. Bem, sejamos honestos, nem no resto é parecido, eu é que sou uma pessoa estranha.
Já não é muito habitual me pedirem para jogar um jogo de plataformas, sidescroller, em 2,5D. Estão fora de moda. Antro é um desses.
Jogamos como Nittch, um… entregador de encomendas, não tanto como Sam Porter Bridges, mas mais como um estafeta da Uber Eats que não tem dinheiro para comprar uma acelera.

Habitamos uma distopia, ditatorial, pós-apocalíptica, subterrânea. Tanta palavra. Sendo subterrânea o ambiente é escuro, muito acastanhado, algo que dificulta por vezes perceber, considerando os diferentes planos do jogo, o que é superfície jogável ou apenas cenário. Isso levou a que muitas vezes saltasse para uma plataforma que não existia, caísse num buraco que não vi, ou embatesse num cano que pensava estar em segundo plano.
A parte musical é muito melhor do que inicialmente parece, já que começamos a jogar apenas com o som ambiente a acompanhar-nos, porém existem momentos de fuga em que somos brindados com momentos musicais bastante bons, que até permitem, com algum jeitinho, paciência e boa vontade, que se torne até um pouco um jogo de ritmo, mas não entrem nele a contar com isso, isto sou eu a alargar mesmo muito a bitola.
Embora inicialmente assim o pareça, tenho dificuldade em considerar que o jogo tem momentos de furtividade, já que mal apanhamos um ferro é muito raro termos que nos voltar a esconder seja do que for, e quando o temos de fazer, parece algo desnecessário. Há itens colecionáveis que vamos apanhando que contam alguma história e descrevem inimigos. Esses inimigos vão ficando progressivamente mais fortes, mas aquele que seria o mais forte e requereria furtividade obrigatória, não me lembro de alguma vez precisar de me desviar dele, já que creio só ter aparecido em plano de fundo.

Há 4 acções que podemos executar, com cada botão de rosto a corresponder a uma delas. Saltar seria de esperar, deslizar pelo chão, atacar com o nosso ferro, e agarrar essencialmente itens colecionáveis ou latas de spray para grafitarmos o nosso nome nas paredes.
Os momentos de plataformas não são nada desafiantes, mesmo os momentos de fuga em que o jogo se transforma num autorun em que só controlamos o ataque, salto e deslizamento. Podem existir algumas secções em que morremos algumas vezes, mas com checkpoints muito generosos, nem nos irritamos, nem isso significa grande perda de progresso, mesmo que algumas mortes pareçam injustas pela confusão gráfica que já descrevi.
Os itens colecionáveis estão por vezes escondidos em áreas mais ou menos secretas. É fácil perceber onde estão, mas dada a disposição dos níveis nem sempre conseguimos perceber qual das duas opções de caminho nos leva à área secreta, e a maioria das vezes já não podemos voltar atrás para a explorar. Talvez seja para introduzir replay value, mas é parvo, porque mesmo o jogo sendo curto, duvido que me lembre da opção que tomei anteriormente ao voltar a jogar.

Uma tentação horrível a que o criador não resistiu foi a de criar minijogos com quick time events. Para mim será sempre uma mecânica hedionda que devia ser banida de todos os jogos. Certo que aqui tentaram dar-lhe ritmo, mas sou tão descoordenado que qualquer sequência de carregar em botões me baralha e enerva. Houve uma ou duas que repeti um ror de vezes, e nem o facto de no final já estar muito melhor nesse processo me dá qualquer alegria.
A história estimula a curiosidade, mesmo envolta num vestido de banalidade, o que estraga tudo é o final que, como diria a minha avó, não “instrói”, nem “induca”, ou como diz muitas vezes a minha mãe, não fo… faz nem sai de cima, e isso foi uma grande desilusão.
Antro é um jogo bastante curto. Devo tê-lo batido entre 3 a 4 horas e por 15€ tenho alguma dificuldade em o recomendar sem ser com desconto. Abaixo de 10€ parece-me ser uma experiência interessante e bem-feita, mas falta-lhe tanto tempero que acaba por não ter nenhum ponto que o faça sobressair.













