Tenho Life Below debaixo de olho, tanto que até fui jogar o demo, algo que raramente faço, apenas para confirmar o que já desconfiava. O que aparenta faltar em desafio, é compensado por paz, tranquilidade e boa onda. 

Se quiser incluir Life Below num género, teria de ser no de city builder, mas provavelmente o mais adequado seria dizer que construímos um ecossistema subaquático praticamente desde o início, sem deixar de fora a componente ecologista. 

Com uma trilha sonora, como não podia deixar de ser, calma e relaxante, tudo combina com a direcção artística que apresenta um grafismo a fazer lembrar um filme da Pixar, mas visto de longe. Tem algum detalhe, mas não é nada de excepcional. 

Neste demo a história não avança muito, mas temos de salvar e reconstruir o recife com ajuda de Lady Gaia que nos ajuda a partir do coração do recife. Não é só Lady Gaia quem nos ajuda já que esta chama Pontus, um antigo guardião no recife, que nos vai ajudando a saber o que fazer nessa posição servindo, no fundo, como um tutorial permanente. 

O conceito de habitante é aqui representado por Water Sprites, seres que não são bem peixes, mas como são aquáticos, vamos subentender que são da família deles, sendo esses que executam todas as acções que existem para fazer. Para que apareçam mais temos que criar habitação para os alojar e encubá-los, sendo que a habitação só pode ser colocada em locais específicos, tornado o seu número finito. 

A jogabilidade é surpreendentemente similar a qualquer outro city builder. Bem, agora que penso isso não é nada surpreendente. Há estruturas que vamos colocando que desbloqueiam novas estruturas. Tudo consome energia, mas para isso há estruturas que colocamos para a produzir. 

Também há uma árvore de habilidades que nos desbloqueia mais estruturas e a capacidade e produzir e colocar outras estruturas que, essas sim, atraem os peixes e diversificam o nosso ecossistema no recife. 

Pensava que conseguia incluir mais estruturas, mas enganei-me. Agora ficou o texto estranho e não me apetece emendá-lo. 

Há efectivamente um equilíbrio precário de elementos como a temperatura e o pH da água do nosso recife. Fora dos intervalos alvo todas as estruturas começam a morrer e, caso sobrevivam, precisam depois de ser reparadas. 

Obviamente temos meios de corrigir essas alterações, mas é tudo tão simples que se colocarmos a mais o próprio jogo os deixa inactivos para poupar energia, retirando com isso qualquer complexidade ou urgência na sua colocação, basta colocarmos alguns a mais e o jogo encarrega-se de gerir o problema. 

Não gostei muito de algumas acções dependerem de plantas que surgem sem a nossa intervenção, mas é um pequeno preço a pagar por tanta calmaria e tranquilidade. 

Parece-me então que Life Below tem potencial de se tornar um bom jogo para enterrar algumas horas. Uso somente “algumas” de forma propositada, já que mesmo nesta versão muitíssimo reduzida, o jogo me dá a entender que se tornará repetitivo rapidamente. Será esse o caso? Neste momento não sei, mas mesmo o rudimentar sistema de missões se torna redundante com a função de Pontus. Tudo parece simples, tudo parece fácil. Neste ponto está-me a escapar o desafio.