Nova Drift atraiu-me pelas cores e luzes que são o seu grande chamariz num mundo em que saem 100 jogos por dia e é muito difícil algum se evidenciar, mas com mais de 12 mil avaliações no Steam, seguramente que este o conseguiu, e é fácil perceber porquê. 

Nova Drift é um bullet hell em top down que praticamente se pode jogar apenas com o rato. Controlamos o propulsor da nossa nave com o botão esquerdo, disparamos com o direito e viramos com o movimento. Simples. Há mais alguma nuance, mas já lá vamos. 

Há realmente uma explosão de cor, néones e tudo o que é garrido, mas para um bullet hell é raro existir uma confusão visual distractiva, o mais confuso para a minha cabeça nem são propriamente as cores ou os inúmeros projécteis que por vezes habitam o ecrã, mas a mecânica que por vezes existe nestes jogos, onde a nossa nave sai do ecrã por um dos lados para entrar imediatamente pelo lado oposto. O meu cérebro dá um nó nessas ocasiões e, aí sim, se existir confusão visual no ecrã, quando a nave muda de posição para uma que não controlo é frequente perder a noção onde está, ou mesmo nem a conseguir distinguir. 

Musicalmente há uma mistura de música calma, como se de um momento zen se tratasse, se o jogo estiver em pausa ou estivermos no menu, que alterna com música eletrónica enquanto jogamos, mantendo assim o melhor dos dois mundos com um equilíbrio exemplar. 

Independentemente de tudo isto, se a jogabilidade não acompanhar, está um jogo morto há nascença, mas com quase um ano de vida continuam a estar, no seu pico, 200 jogadores a jogar ao mesmo tempo, e isso é bastante bom, e a prova que algo está bem feito. 

Admito que levei algum tempo a perceber o entusiasmo dos fãs, mas cheguei lá. Há alguma confusão com as ofertas do jogo, que nem sempre são intuitivas para os recém-entrados, mas quando percebemos e a coisa encaixa, o desafio torna-se muito maior. 

Começamos por escolher o tipo de nave que queremos usar, podendo esta ser mais defensiva, mais ofensiva ou equilibrada, e a diferença é notória, com a mais defensiva a tornar-nos um autentico tanque que dispara com uma pistolinha de água, e a mais defensiva faz de nós um canhão de cristal, que destrói tudo à sua passagem, mas com pouca capacidade de amparar o mais simples dos golpes. 

Consoante vamos destruindo inimigos vamos tendo acesso a upgrades, e embora isso seja o habitual, aqui começa a surgir as mecânicas confusas, já que muito do jogo vive daquilo a que chamam “mods”, e a tudo chamam mods. Há os mods normais, os super mods, os wild mods, podemos combinar mods com outros mods para fazer mods mais poderosos, e provavelmente mais não sei quantos mods que agora não me lembro, cada um deles com as suas particularidades. Alguns não passam de pequenas árvores de habilidades que vamos desenvolvendo em cada run e fica disponível permanentemente quando a concluímos, outros introduzem mesmo modificadores na jogabilidade que alteram o desafio e características de cada uma das nossas runs. 

Desbloquear a tonelada deste conteúdo é a maior parte da nossa luta e que faz com que o jogo não seja um roguelike puro, já que há sempre algo que ganhamos com as runs, mesmo que isso não interfira directamente com a qualidade da nossa nave. 

Também desbloqueamos novos modos de jogo, cada um deles com diferentes modificadores, que essencialmente interferem com a nossa pontuação final, e isso é importante porque há uma tabela online com a pontuação de todos os jogadores, sendo os primeiros bastante competitivos, e claramente muito melhores jogadores que eu alguma vez serei, porque me rebento todo para ficar pelos lugares que rondam o 150. 

Gostei especialmente do desafio diário e das boss runs que, tal como o nome indica, apenas nos colocam perante os bosses. 

Embora o conceito seja simples, o jogo pode ser bastante desafiante, e creio que é a mistura desse desafio com a luta pelos primeiros lugares da tabela de líderes que o mantém tão activo. 

Nem sei bem como apenas descobri Nova Drift agora, mas ainda bem que aconteceu, já que o jogo é bastante divertido, e tem o mérito de ser desafiante e, mesmo sendo essencialmente um jogo para apenas um jogador, ter criado um clima competitivo tão interessante. Se gostam do género, provavelmente gostarão de Nova Drift. Eu gostei muito.