O 3D platformer não tem de ser uma montra de mascotes sorridentes a repetir saltos seguros em mundos de cartão. O género não nasceu para ser domesticado; nasceu para surpreender. E é no espaço indie que essa centelha ainda arde. Aqui, o salto pode ser imperfeito, mas é livre; a estética pode ser estranha, mas é sincera; a mecânica pode falhar, mas não mente. Enquanto os grandes estúdios afinam fórmulas como quem vende detergente, os indies escrevem manifestos em forma de níveis, lembrando-nos que o prazer de saltar entre plataformas não está na perfeição, mas na descoberta. Se o futuro do género existe, é aqui: nas mãos de quem não tem medo de falhar, porque só quem falha pode criar algo verdadeiramente novo. Portanto, tenham em conta estas três propostas que vos apresento hoje.

Rollin’ Rascal

Curiomatic – Estados Unidos da América

Data de lançamento não definida – Nintendo, PC

Pensem nesta hipótese: Sonic tinha um primo traquina, que se chamaria, provavelmente, Rollin’ Rascal. Este é um 3D platformer que não pede apenas reflexos; pede estilo. Controlamos Rascal, uma criatura veloz e irrequieta que transforma a gravidade em pista de dança, percorrendo níveis gigantes onde cada curva pode ser atalho, cada loop é um convite à ousadia, e cada salto parece inventado pelo próprio jogador. A velocidade aqui não é só desafio: é liberdade. Uma expressão criativa de movimento que faz do simples acto de correr um espectáculo.

Mas Rollin’ Rascal não vive só de corridas desenfreadas: há máquinas colossais para enfrentar, bosses que exigem estratégia, e até uma trama que confronta as origens do herói com a ascensão de um vilão chamado Elegance. O jogo quer ser tanto uma carta de amor aos clássicos de alta velocidade como um manifesto de novidade, com modos multijogador online que transformam cada corrida numa competição global. A acompanhar, uma banda sonora adaptativa que acelera connosco, como se o próprio jogo respirasse ao ritmo das nossas acrobacias. Aqui, correr nunca é apenas correr — é afirmar quem somos, a toda a velocidade.

The Big Catch

Filet Group – Canadá

2025 – PC

Se a pesca costuma ser retratada como um passatempo tranquilo, The Big Catch transforma-a em acrobacia pura. Caster, o pescador-acrobata, não lança a cana para ficar sentado à espera — usa-a como arma, ferramenta e companheira numa aventura que mistura plataformas tridimensionais clássicas com exploração de um deserto aberto cheio de segredos. Inspirado nos tempos dourados da quinta e sexta gerações de consolas, o jogo lembra-nos Jak & Daxter ou Spyro the Dragon, mas com um anzol inventivo: cada salto, cada escalada, cada combate ganha outra vida quando a cana de pesca serve tanto para enfrentar inimigos como para interagir com o ambiente.

O resultado é um mundo vibrante onde a pesca não é minijogo, mas mecânica central, carregada de ritmo e criatividade. The Big Catch aposta em acção fluida, exploração livre e um toque de nostalgia que vai directo ao coração de quem cresceu a dominar comandos da PlayStation 2. Num género que tantas vezes se limita a repetir fórmulas, aqui temos um título que pesca no passado para lançar uma rede de ideias novas. E, tal como a melhor das pescarias, o prazer está tanto na espera pelo que se descobre… como na surpresa do que se apanha.

Kero Quest 64

Stratobox – Alemanha

Data de lançamento não definida – PC, Switch

Imaginem que a era doourada da Nintendo 64 tinha ficado presa num frasco de nostalgia. Então a proposta que vos trago, Kero Quest 64, faria a tampa desse frasco a saltar pelos ares. Este collectathon 3D leva-nos de volta ao tempo em que plataformas eram reinos vastos, coloridos e cheios de segredos, inspirando-se diretamente em Super Mario 64 e Banjo-Kazooie. Mas aqui o herói não é um encanador nem um urso falador: é Kero, uma rã azul com língua de aço, capaz de a usar como gancho para se balançar por cenários expansivos. O objetivo? Impedir um príncipe ambicioso de abusar dos seus poderes, recolhendo Estilhaços Mágicos espalhados por mais de 20 níveis abertos, cada um repleto de desafios e micro-histórias.

Feito por veteranos da cena de modding de Super Mario 64 e Zelda, Kero Quest 64 não é só uma homenagem, é uma recriação com ADN autêntico. Os controlos têm a mesma fisicalidade de outrora, mas com retoques modernos que tornam o salto, a escalada e a exploração mais suaves e naturais. Entre disfarces colecionáveis, gráficos low-poly cheios de charme e uma narrativa leve, o jogo encontra o equilíbrio perfeito entre reverência e inovação. Financiado com sucesso no Kickstarter e a caminho do PC e Nintendo Switch, já tem demo no Steam para provar que a nostalgia também pode saltar mais alto do que nunca.