Como todos os viciados em Football Manager, anseio pelas novas entradas na franquia todos os anos. Foi uma decepção quando anunciaram o cancelamento do lançamento de 2025, logo a expectativa para o lançamento de Football Manager 26 (doravante FM26) era grande, mesmo quando os sinais apontavam para um cheiro esquisito na canalização. E não era que a canalização estava entupida? 

Esporadicamente digo que a minha mulher não liga nada a jogos. Nem em jogos para telemóvel toca, mas de todos os que jogo o mais difícil de explicar é mesmo este. Como explicar que consigo ficar um dia inteiro especado em frente do computador a olhar para múltiplas folhas de Excel? É uma tarefa difícil, mas acredito piamente que não sou o único. FM26 simplificou-me um pouco a vida nesse aspecto, porque provavelmente não me irei viciar nele… bem, quem é que quero enganar? Vou ficar na mesma, já o sei. 

Este gostar por afinidade é mesmo um grande problema para nós os fãs, mas óptimo para a Sports Interactive, que mesmo tendo criado um jogo praticamente de raiz, mudando totalmente a sua interface, sabe que tem folga para criar o que acabou por ser esta base sobre a qual irá seguramente trabalhar no futuro, mas que agora parece não um passo atrás, mas muitos passos atrás de FM24. 

Isto é notório desde que entramos no primeiro save, já que a interface em mosaico é o que mais salta à vista. Esta mudança para o motor de jogo em Unity é, para mim, uma forma de unificar todas as versões do jogo e torná-la mais apelativa para os jogadores de consola e mais intuitiva para os jogadores de telemóvel, porém eu sou um jogador de PC e acredito que faço parte da vastíssima maioria de fãs. Ora, para nós esta interface está muito pior, com muitas acções que antigamente eram simples agora a aparecerem bastante complexificadas, a carecerem de mais interacções para se chegar ao mesmo menu, ou mesmo a necessitarem de um menu em dropdown para executar essa acção. Estas mudanças claramente simplificaram o jogo para o uso do comando, mas tornaram-no muito parvo para quem usa teclado e rato. 

Mesmo considerando isso, é perceptível que FM26 é a base de um bom jogo no futuro. Esta versão, e isto já está confirmado, não inclui funcionalidades como ser seleccionador, shouts, o modo de criação de clubes ou o modo de desafios. Estas funcionalidades estão previstas para aparecer em lançamentos futuros, mas não são só estas, desapareceram imensas pequenas funções, essencialmente de qualidade de vida, que não sabemos se irão regressar. Tudo somado, o desaparecimento destas pequenas coisinhas que não interessariam quando consideradas de forma isolada, tornam a experiência do utilizador algo desgastante e, algumas vezes, frustrante. Posso dizer que a confusão de menus chega a ser tanta que, por vezes, prefiro procurar pela funcionalidade na barra de pesquisas e depois seleccioná-la no mosaico correspondente. Há funcionalidades que mesmo agora não faço ideiade  onde encontrar, mas que sei que estão lá. É frustrante. 

O histórico de bugs é grande, mas não os considerei muito já que a própria Sports Interactive diz que irá tentar corrigir a maioria deles antes do lançamento oficial hoje. Pessoalmente apanhei alguns glitches visuais muito notórios, o visualizador do encontro ficar a preto algumas vezes e um bug que impediu o progresso do save, onde um jogador que tinha emprestado se lesionou ao serviço da selecção e depois o jogo pedia-me para decidir como avançar com o tratamento, mas como o jogador não estava no meu clube, eu não podia decidir, mas como não decidia não podia avançar. A solução foi reiniciar o save, o que acabou por poupar uma lesão ao jogador em causa. 

Nem tudo é mau no reino da Dinamarca, porque há algumas boas adições ao jogo, e mencionarei duas delas. A adição do futebol feminino, modalidade em crescente popularidade, foi adicionada, e mesmo não sendo algo que a mim faça comprar o jogo, é algo que é uma funcionalidade claramente positiva. 

Mais importante que tudo, o match engine está muito melhorado, bastante mais versátil e com muito mais opções, apesar de terem sido removidas algumas das posições, mesmo que algumas delas nunca tenham sido pródigas a serem percebidas pela comunidade. Agora as posições e a sua descrição são muito mais claras e simples, embora algumas delas não me pareçam bem configuradas, sem que consiga detectar diferença de comportamentos entre elas. Há também o facto de agora ser possível programar posições e posicionamentos diferentes para cada jogador consoante esteja a atacar ou a defender. É muito difícil explicar quão importante esta mudança é, e o potencial tremendo que tem para quem quer investir a sério na leitura de jogo e afinação de estratégia. A nossa mente ainda não está bem programada para esta mudança, pois mal a percebi, fui para a internet procurar as avarias que alguns estrategas mais famosos já encontraram e, para meu espanto, a grande maioria das tácticas ainda estão muito agrilhoadas a esta noção do jogador ocupar o mesmo espaço independentemente de estar a atacar ou a defender. Seguramente isto irá mudar, mas imaginem o potencial para a microgestão, contratáctica o mesmo adaptar toda uma equipa a uma ou duas estrelas que esta tenha. É mesmo uma base carregada de potencial, mas mesmo esta bela tem um senão, pois embora possa permitir tudo isto e ainda mais, preza-se a bastantes erros por distração, já que é comum nos enganarmos quando colocamos os jogadores em diferentes posições em diferentes fases do jogo. É notória a preocupação em prevenir isso mesmo, com sinais de alerta a aparecerem por defeito quando deixamos um jogador em posições dispares em momentos diferentes, mas enganei-me algumas vezes, mesmo assim. Neste caso é mesmo de dizer que o burro sou eu, não o jogo. Para além disso, todo este manancial de opções aliadas à nova representação gráfica tornou os jogos muito mais lentos e chatos de assistir. Eu sei que é apenas uma representação gráfica da simulação que está a acontecer nos bastidores, mas eu não diria que esta representação está melhor que no jogo anterior, tem sim coisas melhores, mas há outras piores, acabando por se balançar. 

Não vale a pena dizer que não recomendo o jogo, sei bem que o vão comprar independentemente do que escreva, mas FM26 é um projecto e, para mim, um produto muito pior que o anterior. A Sports Interactive arriscou-se muito, negligenciando o seu público fiel, na esperança, e porque não supor que também na ganância, de entrar de forma mais clara no jogador de consola e telemóvel. Só não me perdem porque já tenho o jogo, mas se fosse uma pessoa objectiva já me tinham perdido. Acredito que a partir daqui tudo irá melhorar, quiçá até nesta versão, mas o que joguei esta semana deixou-me muito desiludido.