
Apesar de já ter regressado de férias há 1 semana, ainda consigo sentir o cheiro dos dias de descanso, e há partes do meu subconsciente ainda lá estão, a descansar, já que instintivamente cliquei no ícone do rato de um jogo instalado no meu desktop que prometia um ambiente relaxante.
Por outro lado, quando passamos grande parte do nosso ano a escrever sobre indies, é usual sentirmos alguma injustiça perante as palavras que escrevemos. É que existem muitos jogos com excelentes e originais ideias, mas cuja execução falha, seja por falta de recursos ou de capacidade dos seus criadores.

Magic Inn é um exemplo particularmente interessante disso. Somos um feiticeiro exilado que encontra numa pequena estalagem medieval a possibilidade de reinventar a sua vida. Aqui, nós não salvamos reinos com espadas ou feitiços, mas somos apenas uma parte de uma estrutura funcional do reino, aliando as nossas capacidades de feitiçaria com a gestão de uma unidade hoteleira medieval.
Esta inversão de expectativas é um dos grandes trunfos do jogo, porque nos obriga a pensar nos nossos poderes não como algo exercido pela força directa, mas uma ferramenta levada a cabo através da hospitalidade e da forma como criamos relacionamentos com os nossos clientes.

A jogabilidade assenta num sistema de gestão relativamente simples à superfície, mas que rapidamente revela camadas de elementos de fantasia. Para além disso, a forma como os autores decidiram incorporar um sistema de cartas nas interacções sociais dá-lhe um toque diferente, mas que não chega a resvalar em bons jogos com este tema, como Coffee Talk.
A história em si mesma é superficial, e é apenas uma justificação para ter o jogo a decorrer à sua frente. Sinto até que “superficialidade” é a linha constante em todo o jogo, o que inclui as mecânicas de servir bebida, que se resume a um mini-jogo extremamente insípido.

Todos os sistemas mecânicos que existem em Magic Inn estão presentes, mas ainda mal articulados, o que pode ou não ser uma surpresa, mesmo para os padrões de um Early Access.
A direcção de arte, discreta, não nos procura impressionar por qualquer tentativa de grandiosidade, mas algo pacífico e pouco distintivo de tantos jogos cozy pelo Steam.

Num cenário e momento de hiper-saturação no mercado dos videojogos, cada título que seja lançado, seja em full release ou em Early Access, tem, salvo raras excepções, apenas uma oportunidade para singrar, e diria que dada a oferta de brilhantes cozy games que temos recebido, Magic Inn pode ter falhado esse momento.
Há aqui ideias promissoras, a começar pelo tema e pela premissa, aliando magia à gestão de uma estalagem medieval, mas a execução deita por terra todas essas pretensões e entusiasmo por um bom jogo.













