
Sabem o que é umami? Não, não é uma piada anglófona sobre ter progenitoras obesas contada com uma pronúncia ligeiramente alentejana, mas sim o quinto sabor básico do paladar humano, fechando o ciclo composto também por doce, salgado, azedo e amargo.
Mas para além disso, é um jogo de tabuleiro sobre o qual não iremos falar, porque iremos debruçar-nos sobre – espantem-se – mais um jogo indie cozy, desta feita um puzzle game bastante colorido.
UMAMI foi desenvolvido pelo estúdio Mimmox e é um jogo indie de puzzle com uma ideia muito simples e com uma execução visualmente bastante consistente. Os seus níveis são quebra-cabeças discretos, quase minimalistas, mas rapidamente se percebe que a sua força reside na forma como transforma a mais pequena interacção virtual tridimensional num exercício divertido e com o qual imediatamente nos relacionamos.

O fundamento de UMAMI assenta na manipulação de puzzles de madeira com pontos magnéticos, similares a brinquedos de crianças que estão a descobrir o raciocínio espacial. Um jogo que, à semelhança de outro favorito meu, Tiny Lands, sabe explorar o desafio intelectual de quebra-cabeças tridimensionais. Cada puzzle leva-nos a observar com atenção o espaço e as peças disponíveis, incentivando-nos a rodar a estrutura para perceber toda a sua volumetria.
Não há pressa, nem penalizações: a satisfação de UMAMI reside no próprio acto de experimentar a colocação das peças, rodar, encaixar e reorganizar os elementos até tudo fazer sentido, e construírmos uma escultura tridimensional de maneira colorida e divertida, sempre com o tema da comida como musa.

O grande segredo deste jogo é na realidade a sua direcção de arte: as cores são suaves, e cada escultura resultante parece cuidadosamente composta para que nos apeteça tocar-lhe no mundo real, ou tê-la como elemento decorativo na sala. Ainda assim sinto que esta escolha estética não é apenas decorativa, mas contribui directamente para a clareza da estrutura esculpida dos puzzles e para o tom relaxante do jogo. A banda sonora e os efeitos sonoros seguem a mesma filosofia, acompanhando as nossas acções de forma subtil, quase meditativa.
Do ponto de vista de game design de puzzles, UMAMI prefere a beleza à complexidade extrema: as ideias são introduzidas de forma progressiva, permitindo que aprendamos as regras implícitas do jogo sem perdermos tempo com tutoriais intrusivos. Há um prazer particular em reconhecermos padrões visuais e percebermos como pequenas variações no bordo da escultura levam a que duas peças praticamente idênticas façam sentido em faces distintas do puzzle.

Com tantos bons jogos indie de puzzle, é fácil inserir UMAMI numa linha de obras que valorizam a experiência sensorial enquanto cerne do desafio lógico, ao mesmo tempo que nos oferece, ao longo de muitos níveis, uma grande linha de descontração.
UMAMI é um exemplo de como um conceito simples, bem executado, pode resultar num excelente jogo cozy, que ao combinar puzzles acessíveis com esculturas coloridas e criativas, soube encontrar o seu nicho.













