
Deixemos aos criadores indie a difícil mas meritória de tarefa de olharem para o que tem sido criado e desenvolvido nas últimas décadas e recriar formas de combinar ideias novas. É esta sensação com o qual fiquei desde que peguei no jogo do developer italiano Gius Caminiti, lançado originalmente em Early Access no Steam a 7 de Novembro de 2024.
Lançado entretanto na sua versão final, Tower Factory é um jogo indie de simulação e estratégia que funde elementos de tower defense e automação, e o coração desta experiência está na combinação criativa entre a construção de uma fábrica o mais eficiente possível e a necessidade de defender a nossa base contra vagas de inimigos.

Temos de organizar sistemas de produção com recurso a tapetes transportadores para recolher e processar materiais como madeira e pedra (perfeitamente fundamentais para erguer torres defensivas e outras estruturas que reforçam a nossa posição), mas temos que nos preparar para as hordas de criaturas que avançam pelo mapa, testando a eficácia do que construímos e obrigando-nos a melhorar constantemente tanto as defesas como as sequências organizadas de produção.
Cada “nível” decorre num mapa gerado de forma procedural, o que significa que cada sessão de jogo é única e nos confronta sempre com novos desafios de organização espaciais.

À medida que avançamos e cumprimos objectivos — como localizar e destruir o castelo inimigo antes que ele nos supere — ganhamos moedas e recursos que podem ser investidos em melhorias permanentes, um toque de roguelite que leva a algum grind no final do jogo, para obtermos tecnologias mais avançados, demonstrando alguma “lentidão” na sua meta-progressão.
Visualmente, Tower Factory adopta uma perspectiva isométrica com uma direcção de arte colorida que nos permite focar nos sistemas profundos de gestão e estratégia que o seu desafio requer, e que o torna enganadoramente familiar e “fácil”. É que à medida que avançamos sentimos que a sua dificuldade de fácil e familiar tem pouco.

Tower Factory quis ir mais longe do que o típico tower defense, incorporando um género de estratégia que tem crescido nos últimos anos: os jogos de automação. O resultado permite-lhe trazer-nos um sabor diferente e uma experiência distinta a um género que ficou saturado há mais de dez anos.













