
Não cheguei a jogar ao clássico jogo de tabuleiro HeroQuest de 1989, mas seria impossível para mim não reconhecer a extrema influência que ele projectou até aos dias de hoje no seu próprio meio, mas também nos videojogos.
A modularidade da construção de dungeons que aqui foi estabelecida, permitindo uma rejogabilidade virtualmente infinita, viria a ser trazida até aos dias de hoje de diversas formas.

HeroQuest esteve, em termos físicos, praticamente circunscrito ao mercado secundário, até ao seu relançamento em 2021.
Mas uma série indie no PC tem mantido viva a memória do emblemático board game de Stephen Baker: Dark Quest, cujo primeiro título saiu em 2015, e que tem o recém-lançado Dark Quest 4 como o mais recente lançamento.

Em Dark Quest 4 temos dez personagens únicos disponíveis, mas partimos à aventura com parties de 3 heróis, cujas sinergias temos de explorar para tentar enfrentar os perigos que nos são apresentados pelas mãos do Dark Sorcerer e do novo inimigo desta quarta iteração, Gulak. Os heróis que ficam na base a descansar recebem bónus HP em futuras incursões.
Apesar de não terem level up, é-nos possível melhorar os nossos aventureiros através da aquisição de melhor equipamento no campo que serve de hub antes de cada playthrough. É aí, aliás, que encontramos quatro lojas distintas, e onde podemos gastar o nosso arduamente ganho ouro no Blacksmith e o Merchant, onde compramos equipamentos, o Trainer que nos ensina novas habilidades e o Alquimista que nos vende uma variedade de poções.

Dark Quest 4 conta com 30 quests únicas cuja dificuldade pode ser ajustada, mas é a interligação com o Creator Mode e a Steam Workshop que estendem a vida deste interessante dungeon crawler/turn-based RPG.
O combate é o que esperamos de um jogo inspirado num dos pais dos dungeon crawlers, que por sua vez foi inspirado em Dungeons ‘n Dragons: acção por turnos, onde a iniciativa e o posicionamento das unidades no terreno fazem a diferença entre o sucesso e o TPK.

Com uma base de fãs sólida, Dark Quest 4 surge-nos não só como um excelente dungeon crawler clássico, como um excelente gateway para o género, com o bónus de criar alguma curiosidade para com os jogos de tabuleiro que lhe servem de inspiração, em especial o clássico HeroQuest.













