
A extensa importância dos jogos de arcada da viragem dos anos 1970 para 1980 ainda hoje é sentida, ainda que muitos dos géneros populares à época estejam circunscritos ao revivalismo ou de jogadores retro, ou de criadores indie.
São estes, aliás, quem mais tem olhado para o passado para pensar o futuro: muitas das boas e originais premissas dos últimos 10 anos nascem de um olhar curioso para jogos emblemáticos e do raciocínio de como os trazer para o presente.

Utopia Must Fall não traz essas inspirações apenas na alma, trá-las tatuadas na pele. E sentimo-lo logo a olhar para o ecrã, com o fundo preto omnipresente sob as formas e vectores coloridos com efeitos luminosos que nos remetem para a estética revivalista synthwave.
Missile Command e Asteroids são as influências óbvias deste jogo desenvolvido pelo estúdio PixelJAM Games. No centro do ecrã, em baixo, temos a silhueta vectorizada de Neo London, a cidade que temos de proteger de uma invasão alienígena. Ao bom estilo do clássico da Atari, temos um controlo fixo dos nossos projécteis, e temos de impedir as naves e disparos inimigos de atingirem a cidade.

O que traz Utopia Must Fall para uma experiência mais contemporânea são os elementos procedurais: tanto de níveis, mas sobretudo de upgrades disponíveis a cada final de dia (nível). Cada playthrough vai obrigar-nos a pensar em caminhos diferentes para evoluir e melhorar a nossa nave, mantendo de algumas forma a jogabilidade “fresca” por mais tempo.
Apesar de estar em Early Access e de ter bastante conteúdo disponível para os 8,49€ que custa, Utopia Must Fall sofre um pouco com a repetição dos tipos de inimigos: dado que estes são formas vetoriais, grande parte da sua diversidade dá-se apenas por diferenciação cromática.

Ainda assim, este promissor schmup revela-se como mais do que um mero exercício de revivalismo: é um repensar de um jogo com quase 50 anos para um público moderno. E faz essa tradução de forma bastante inventiva.













