
Nunca escondi que a fórmula dos jogos da Sony não é a minha preferida, mas também nunca me custou admitir que quando um jogo dela me agarra, torna-se imediatamente uma paixão assolapada. Este facto fez com que não tivesse as PlayStation 3 e 4, e com a quantidade de jogos que me enviam para jogar, é muito raro ter tempo para jogar o que quero, quando quero. Agora que me afastei tenho tempo de sobra, e com esse tempo quis, finalmente, ir ver a razão porque todos adoram The Last Of Us (doravante TLOU) e, muito sinceramente, escapou-me.
Antes que venham dizer que é um bocado injusto estar a olhar para um jogo de 2013 com olhos de 2026, eu sei que o jogo está a fazer 13 anos, e até me arrependi de ter jogado a versão remasterizada porque, a certa altura, fiquei na dúvida de como deveria classificar a qualidade gráfica, tanto que fui espreitar a versão original do jogo que está no PSPlus.
Usualmente um jogo fica na memória por inovar, ser especialmente bom num aspecto em particular ou ser uma conjugação especialmente bem conseguida de vários aspectos. Neste momento do tempo encontro-me um pouco na dúvida sobre qual terá sido, destas categorias, aquela em que TLOU se evidenciou.

Nem fui ver anos anteriores, só em 2013 saíram Grand Theft Auto V, Bioshock Infinite, Assassin’s Creed IV: Black Flag, o reboot de Tomb Raider, Super Mario 3D World, The Legend of Zelda: Windwaker e A Link Between Worlds, DOTA 2 ou Crysis 3, e com isto só peguei naqueles que me apareceram no topo do ecrã numa pesquisa rápida no Google. Com isto quero dizer que não foi por falta de qualidade, criatividade ou mesmo pela diferença em algum aspecto em que TLOU se evidenciou e explico o meu ponto de vista.
Se olhar somente a alguns aspectos isolados, como a história, na minha opinião e de Bioshock Infinite é superior, se olharmos a qualidade gráfica iria para Crysis 3, se fosse para o aspecto de melhor mundo fechado já seria capaz de ter mais dúvidas, mas mesmo considerando-o o melhor nesse aspecto, quer Tomb Raider, quer Crysis 3 estão lá muito próximos, se olhar aos puzzles há uns quantos que, de muito longe, o batem, olhando para o gunplay e furtividade também há uma data deles melhores e os elementos de RPG são simplesmente para rir, tanto que eu nem os teria adicionado e frequentemente me esquecia deles.
TLOU é, portanto, um daqueles jogos que combina bem diversos aspectos e, permitam-me acrescentar um ponto, apareceu na altura certa para surfar na onda do sucesso de The Walking Dead, que, curiosamente, até tinha o jogo da Telltale Games na altura, embora com uma proposta completamente distinta. Vou então olhar em pouco para esta perspectiva.

TLOU mesmo para 2013 não é um jogo único na conjugação de factores. Os jogadores têm mais exemplos anteriores, como a saga The Elder Scrolls, Mass Effect, Half-Life, Halo ou mesmo Batman: Arkham, todos eles com o seu lugar na história e no coração dos jogadores, por isso, o que acaba mesmo por diferenciar TLOU é o timing em que é lançado, o setup da história, um batalhão de jogadores que ansiava por zombies, na altura em que estes eram moda. Agora já enjoei de tudo o que tenha essa bicharada e duvido que seja o único.
Custa-me muito entender o resultado das minhas pesquisas online, e mesmo algumas análises da altura, que enaltecem sobremaneira a história do jogo, que embora não seja nada má, está cheia de clichés e com imensos buracos, o pior deles não mostrar os momentos que criam a relação entre Ellie e Joel que justificam o seu final. O medo de tornar o jogo um walking simulator faz com que os momentos de união entre ambos nunca apareçam. O jogo salta de confronto em confronto através de um ecrã de carregamento que nos faz avançar meses, fazendo com que mais de um ano de jogo nos seja mostrado através de, e vou ser optimista, 10 a 15 dias de contacto real entre os protagonistas; o resto somos nós que temos de subentender e preencher. O resultado foi que nunca senti especial apego a Ellie e, se fosse eu o protagonista real daquele final, considerando os meus sentimentos nesse ponto do jogo, podem ter toda a certeza de que tudo se teria desenrolado de outra forma. Mesmo que não considerem isso, e olhando para o fim de TLOU sabendo o que foi a sua sequela, percebe-se de imediato que esta já estaria planeada, porque é completamente ridículo, e preparem-se para spoilers ligeiros até ao final da frase, que um médico com apenas um bisturi pense que intimida alguém que carrega com ele umas 6 ou 7 armas de fogo, e já matou, só naquele edifício, umas 30 pessoas para chegar aquele ponto. Tenho de vos admitir que me ri com essa cena, a sério que ri.

Esta versão remasterizada tem um novo capítulo que, depois de acabar, pensei que viesse ajudar a preencher essa lacuna, e embora preencha uma lacuna temporal, não é essa.
Desperdicei o meu tempo a jogar TLOU? Longe disso, mas tenho de admitir que nunca me consegui embrenhar completamente naquele mundo que, no papel, foi feito para mim. TLOU é um bom jogo. Embora no início tivesse ponderado abandoná-lo, gradualmente foi-me conquistando. Entra na minha lista de melhores jogos de sempre? Longe disso, e mesmo se obrigassem a escolher entre os que joguei da Sony, estaria atrás de Horizon e muitíssimo atrás de God of War, e então se considerarem Death Stranding, estão em ligas diferentes.
Frequentemente me pergunto, e chego a escrevê-lo em alguns textos, se alguns jogos precisam mesmo de ser jogados na altura certa para deles conseguirmos extrair todo o seu significado, e muito provavelmente é esse o caso com TLOU. Provavelmente, se não fosse feito pela Naughty Dog e publicado pela Sony, não o conhecesse e o tivesse ido jogar agora, nem o teria acabado.













