(eu sei que depois de lerem este título estão neste momento a traltear Pata-Pata-Pon, Pata-Pata-Pon, nas vossas cabeças. De nada!)

Sinto que devemos regressar a sítios onde fomos felizes, sempre que possível. E devemos fazê-lo mesmo se esses sítios onde fomos felizes tenham mudado de aspecto, ou até mesmo de nome.

É assim que me sinto quando jogo Ratatan, o sucessor espiritual de Patapon, criado por uma grande parte dos criadores da aclamada (e infelizmente esquecida) série da Sony. 

Patapon ainda traz parte do brilho e do risco que fez parte da identidade da PlayStation antes da fórmula bilionária dos open world adventure games cinematográficos terem dominado por completo os escaparates virtuais das últimas gerações de consolas.

Para trás ficaram obras experimentais e extremamente criativas, com Patapon a merecer apenas dois remasters nos tempos recentes, muito provavelmente uma forma da Sony de testar as águas e perceber se existia fome de mais um jogo pela parte do público. 

Com o encerramento/absorção dos Japan Studios, nunca saberemos se algumas das ideias que vemos em Ratatan já existiam quando os seus criadores ainda trabalhavam sob o chapéu da Sony, mas depois de passar tantas horas neste jogo, só posso agradecer de ele ter visto a luz do dia.

Uma das primeiras diferenças que vemos em Ratatan para o seu antecessor é a existência de oito personagens “jogáveis”, os titulares Ratatan, que funcionam como líderes da tribo que levamos para cada run. Imaginemos este personagem como o equivalente às pessoas que no remo marcam o ritmo com um megafone, ou na tradição de cheerleading japonesa que entoam os cânticos de vitória.

Cada um deles tem um instrumento distinto, mas também estatísticas diferentes que nos fazem abraçar cada desafio de forma diferente, o que inclui que Cobuns pode levar consigo para a batalha.

A mistura de rhythm e strategy game que Patapon “criou” continua aqui bem viva. Temos de estar constantemente a “cantar” melodias para os nossos Cobuns com o Ratatan que escolhemos para cada run. 

Estas melodias são sequências de alguns botões que dão comandos diferentes, entre esperar, investir, ou mesmo atacar à distância, defender, ou utilizar ataque especial. Visto que temos de estar sempre em acção com a nossa música, temos de ir lendo as acções dos adversários para rentabilizar ao máximo as acções do nosso grupo tribal, mantendo-os a salvo sempre que possível. 

O que Ratatan faz é levar isto para o campo do roguelite, com o habitual pico de dificuldade de alguns bosses a obrigar-nos a fazer grind em algumas runs para recolher materiais que nos permitam melhorar as armas dos pequenos Cobuns ou fazer upgrades aos nossos Ratatans de eleição. 

As runs são ligeiramente diferentes entre si, já que cada segmento de cada nível funciona por escolha múltipla, à semelhança de outros jogos do género como Hades. Quando terminamos um segmento podemos escolher qual o tipo de recompensa do próximo bloco, sejam recursos, dinheiro, cura, ou mesmo cartas Ratatakurata, que nos dão atributos elementais aos ataques, seja veneno, ou gelo, entre outros.

Esta diversificação foi a forma dos seus criadores encontrarem para tornar a monotonia típica de um sistema que nos exige algum grind em algo distinto e menos aborrecido.

A meta-progressão de Ratatan vai preenchendo a aldeia que serve de hub com diversos personagens, o que inclui mercadores que nos irão dar acesso a novas armas para os nossos Cobuns. Melhorias que bem precisamos já que as boss fights são muito, muito difíceis, e até alguns segmentos contra alguns tipos de inimigos conseguem ser o suficiente para reduzir o número de soldadinhos que temos connosco.

No entanto, a nossa run só termina se o nosso Ratatan for derrotado: quanto aos Cobuns desaparecidos, estes reaparecem após algum tempo passado.

Ratatan conta também com um formato online co-op que eu ainda não experimentei, e não sei se vou experimentar, ainda que me pareça que potencialmente isto possa ajudar no grind e na dificuldade do combate.

Ainda em Early Access, e a contar com apenas 5 mundos neste momento, tenho curiosidade para saber qual a verdadeira longevidade que Ratatan vai ter quando vir o desenvolvimento derradeiro. Por agora o conteúdo é relativamente limitado mas tão, tão divertido, que sentimos que este desvio roguelite encaixa na perfeição com toda a magia criada há tantos anos com Patapon.