Bons jogos point ‘n click têm dois factores para o seu sucesso: por um lado a qualidade de escrita, por outro, a qualidade dos seus puzzles. Muita gente dirá que um terceiro factor, a qualidade da arte, entra aqui ao assunto, mas vindo ainda da geração de jogos do DOS que aos meus olhos ainda hoje são deslumbrantes, diria que a direcção de arte é, quanto muito, o laço que ata todo o embrulho.

Mas quando descobri Cloud Cats’ Land cedo percebi que esse vértice do triângulo é na realidade uma semi recta: esta aventura gráfica é visualmente deliciosa, mas os seus puzzles roçam o ilógico. E isto vindo de alguém que com dificuldade jogou os Sam & Max.

Nem precisamos de ir ao infame puzzle da cabra do Broken Sword para falar de dificuldade, até porque não é esta que me assusta. Para quem cresceu e jogou grande parte dos títulos conhecidos e desconhecidos do género, há algo que fica bem evidente – quando os developers indie que criam jogos contemporâneos no género são inspirados pelas mesmas referências que nos formaram enquanto jogadores.

Mas Cloud Cats’ Land leva isto para outro campo, contentando-se na estranheza de alguns puzzles com meta-ideias que pouco sentido fazem. 

Acredito que assim como eu, nenhum fã de aventuras-gráficas gosta de puzzles que sejam óbvios, nem outros que sejam tão ilógicos que só com walkthroughs lá cheguemos. Há um ponto médio, perfeito, em que temos a satisfação de encontrar uma solução, com verdadeiros exercícios de lógica que resultam de um raciocínio da nossa parte.

Cloud Cats’ Land é bonito, e visualmente uma delícia, mas é pouco mais do que isso, com puzzles que eu desejaria que tivessem aprendido mais com os clássicos.