
Nos dias que correm é muito difícil para quaisquer obras esconder as influências que motivam as suas fundações. No caso do estúdio Twirlbound, que desenvolveu anteriormente o semi-desconhecido Pine, a musa por trás do seu mais recente jogo, The Knightling, pode facilmente ser encontrada nas mais recentes iterações de The Legend of Zelda. Mas há um problema quando vemos um jogo a colar-se em excesso a uma obra aclamada de forma praticamente consensual: é que perdem por comparação.
The Knightling é um jogo de acção e aventura na terceira pessoa que procura recuperar o encanto das grandes histórias de cavalaria e escudeiros, que em certa forma coabita com uma grande série da TV contemporânea que fala precisamente sobre isto.

Desenvolvido com um forte sentido de identidade visual e mecânica, The Knightling apresenta-nos um mundo colorido e com um humor subtil, com alguns desafios em formato de puzzles de plataformas tridimensionais bem equilibrados, e onde a exploração e o combate assumem igual preponderância.
Vivemos o papel de um jovem aprendiz de cavaleiro que procura o seu mentor perdido, o cavaleiro Sir Lionstone, e é na sua procura que enverdeamos numa história de crescimento pessoal e heroísmo. No entanto, o protagonista, ainda longe de ser o herói perfeito, é confrontado com dilemas que exigem não apenas força bruta, mas também engenho e empatia. E isso é-nos rapidamente demonstrado pelo mundo que se abre perante nós, desde os primeiros instantes.

O mundo deste jogo aberto é construído como um vasto cenário interligado, repleto de segredos, atalhos, zonas opcionais, em biomas distintos. Cada região apresenta uma identidade própria, desde florestas verdejantes e ruínas antigas até cidades animadas, cheias de personagens carismáticos e pequenas histórias paralelas.
Com muitas inspirações em TLoZ na movimentação e exploração, é no combate que The Knightling demonstra a diferença de qualidade para com as suas inspirações. Os movimentos do nosso herói são limitados e os ataques dos inimigos extremamente punitivos: por diversas vezes sentimos que o tempo de recuperação depois de sermos atingidos é injusto, e acabamos por receber ainda mais dano sem que possamos fazer algo contra isso.

Por outro lado, o escudo, seja enquanto elemento de combate ou como ferramenta de locomoção, necessitava de ser melhor afinado em termos físicos, para que seja uma real mais-valia e não uma condicionante à nossa jogabilidade.
Diria, porém, que este indie publicado pela gigante Saber tem a sua direcção artística estilizada, com cores vivas, personagens expressivas e ambientes que parecem saídos de um livro de contos ilustrado como um dos seus grandes elementos distintivos, mas não sei se são o suficiente para o fazerem cumprir o potencial que notoriamente tem.
Editado em 15/02: como indicado por um leitor, o Sir Lionstone é o mentor, e não o protagonista, tendo corrigido a frase confusa e incompleta que o referia.














Comments (2)
Ricardo, Sir Lionstone não é a personagem que controlamos no jogo (mas sim o seu mentor).
Obrigado, Luís! Editado e indicada a correcção em rodapé. Entre as notas no caderno e a frase que ficou estranhamente incompleta, lá saltou esse erro. Agradeço o alerta!