
O que é que os originais XCOM e Ratchet & Clank têm em comum? À primeira vista, pouco ou nada, a menos que tenhamos jogado a Chip ‘N Clawz vs. The Brainioids, o mais recente jogo do estúdio Snapshot Games, a empresa fundada há mais de dez anos pelo criador dos XCOM originais, Julian Gollop.
A ideia de Chip ‘N Clawz vs. The Brainioids é, à semelhança dos muitos jogos que Gollop criou nos seus mais de 40 anos de carreira, arriscada e original, prometendo misturar elementos e géneros que ainda não vimos serem testados.

Cruzar combate na terceira pessoa ora com tower defense, ora com real time strategy é algo que já vimos. Vermos essa mistura a três, como uma dose de experimentação marota, tanto quanto saiba, é mesmo a primeira vez.
Apesar de a priori esta mistura poder ter sido feita com uma abordagem extremamente complexa, o que Gollop e a sua equipa quiseram criar foi uma experiência muito mais familiar e facilmente compreensível por qualquer um, independentemente da idade ou de conhecimento deste tipo de jogos.

Aproveitar essa abordagem para piscar o olho do ponto de vista temático e artístico a Ratchet & Clank é um caminho mais do que lógico, tornando-se de forma óbvia numa inspiração impossível de negar. Com missões muito directas a rondarem quase todos cerca de 20 minutos, o objectivo de cada uma é bastante directo: destruir a base do inimigo, ao mesmo tempo que impedimos que estes destruam a nossa.
Já que podemos controlar cada um dos titulares personagens, o humano Chip e o robótico Clawz (ou jogar em cooperativo com alguém, em que cada um controla um personagem diferente), temos de minar recursos para podermos construir novos edifícios, sendo que estes, por sua vez, permitir-nos-ão construir robots para irem na direcção da base inimiga.

Cada um dos dois personagens é controlado de forma igual, e tem as mesmas capacidades para combater (infelizmente, mas já lá vamos) e construir, mas tem pormenores únicos relacionados com a estratégia. Chip consegue dar um buff a veículos e edifícios, sendo que Clawz os consegue reparar, contando ambos respectivamente com uma hoverbike e um jetpack para uma locomoção mais rápida.
O combate acaba por ser pior do que simples: é extremamente simplista, um mero exercício de button-mashing de um botão de ataque só que rapidamente nos faz perceber a gigantesca dose de monotonia em que este jogo cai.
Mesmo a estratégia envolvida nas missões invariavelmente nos leva para uma necessidade de construir o máximo de edifícios possíveis e construir o máximo de robots permitido e simplesmente fazer overrun ao adversário. Uma estratégia simples que parece estar assente sobre a ideia de “strength in numbers” mais do que em impelir-nos em criar táticas mais interessantes.

Chip ‘N Clawz vs. The Brainioids é uma boa fundação para o que é possível fazer com este cruzamento de géneros. Quiçá por culpa da sua vontade se ser um jogo mais familiar demonstra uma falta de profundidade que torna ainda mais evidente a extrema repetição que o envolve.













