Gedonia 2 é um RPG simples com uma premissa e gameplay clássicos e descontraídos. O jogo está ainda em estado alpha com skills por serem terminadas, quests, e no geral um mundo a precisar de ser devidamente polido pois está ainda bastante cru e estático apesar de já encontrarmos alguma animação e dinâmica nas cidades.

Eu não diria que o jogo é a sequela, mas uma nova tentativa mais séria neste mundo de fantasia criado por uma pessoa apenas, Oleg Kazakov.

Gedonia 2 deixa-nos passear por um mundo livre com landmarks identificáveis para os menos experientes, seja o design das casas, seja as próprias personagens, objectos, skills, feitiços, jobs e até mesmo as quests tudo isto transpira bastante ao primeiro Fable e não é uma critica, o aspecto de podermos criar uma casa nossa, dar festa a gatos e cães são bons toques que dão uma certa vida e charme a este mundo, mas esses aspetos precisam ser mais bem trabalhados.

O mundo aparenta ser aberto, mas é mais linear do que imaginamos, assim como bastante direto nas quests apresentadas.

É a clássica receita: temos um herói/heroina com o qual podemos desenvolver e evoluir a sua classe, atualizar os atributos de força, destreza/agilidade, inteligência e carisma.

Cada um destes atributos serve para ir gradualmente evoluindo a nossa personagem e os poderes ou habilidades que escolhemos, as armas também estão sob esse efeito dos atributos como outros aspetos.

A gameplay é básica e tem ainda muita coisa verde que me parece que nesta altura do desenvolvimento já deveria estar melhor até porque o primeiro Gedonia tem já 3 anos: um desses aspetos verdes que denoto é a locomoção da personagem é bastante atrapalhada e pouco natural, a colisão seja dos personagens e dos objetos sofre de regulares glitches, não é a primeira vez que por exemplo salto e fico preso dentro dum calhau, duma parede ou que caio num abismo.

Mas o jogo tem alguns pormenores que estão interessantes para um jogo criado por uma só pessoa, os livros e scrolls que vamos encontrando têm um lore se bem que é básico e fácil de ler, e demonstra que existe um world building minimamente montado.

As missões introdutorias são o normal clichê que vemos em RPGs há décadas, uma vila é ameaçada por forças hostis sobrenaturais e nós aceitamos a missão, seja limpar uma mina de zombies ou entrar numa ruína e capturar um artefacto sendo necessário resolver alguns puzzles para atingir o objetivo.

Já as sidquests podem esperar coisas tão banais como ir apanhar flores para uma poção específica, limpar ratazanas numa casa ou procurar alguém desaparecido.

Seja qual for a classe que escolherem, seja um simples guerreiro a um magico este jogo tem um bom potencial para quem é noviço neste tipo de jogos e queira experimentar um género que bebeu a inspiração nos clássicos.

Os pontos menos positivos que encontrei foram sobretudo nos diálogos, acredito que estes possam ser melhorados, ainda que isso seja uma skill que vai depender muito de quem está a desenvolver o jogo sabe o básico de argumentação. Encontrei muitos erros de lógica nos diálogos, por exemplo, num momento perguntamos a um aldeão se está tudo bem e ele responde que sim que está tudo calmo, para depois noutra linha de diálogo estar todo psicótico porque a aldeia não é segura por alguma criatura. Podia falar um pouco mais sobre o assunto, mas seria injusto por duas razões: a primeira porque o jogo ainda está muito verde em estado alpha, como posso eventualmente dar aqui alguns spoilers desnecessários.

A quem possa estar interessado no jogo, recomendo que espere que o mesmo saia da fase de early-access ou que o apanhe em promoção como já esteve há duas semanas.

Se querem algo mais substancial no género e que seja uma boa primeira experiência, recomendo o clássico Fable seja a versão remaster “Fable Anniversary” ou o original do Steam, The Lost Chapters, se querem algo mais moderno e se já têm alguma experiência neste género de jogos e querem algo mais desafiante, então recomendo o Outward.