Se ainda ontem falava da longevidade da série que abriu caminho para os RPGs nipónicos, especificamente os JRPGs, acho curioso como outra das séries japonesas mais longevas, mas substancialmente menos conhecidas, tenha um jogo a chegar ao mercado com pouco ou nenhum alarido.

Falo, obviamente, da série Ys, que acompanha desde 1987 as viagens do aventureiro Adol Christin, um herói cuja curiosidade o leva constantemente a novas terras cheias de monstros e civilizações perdidas. Depois de dez iterações principais (muitos remakes pelo meio), a série Ys continua a definir, há quase 40 anos, o que devem ser os action RPGs.

Lançado originalmente em 2023, Ys X: Nordics leva um Adol ainda jovem e numa fase inicial das suas aventuras, logo a seguir aos acontecimentos do clássico Ys II, antes do eterno protagonista acordar em Celceta.

Esta nova versão ligeiramente melhorada e lançada apenas 3 anos depois da original e intitulada Ys X: Proud Nordics representa uma versão expandida e revista de Ys X: Nordics, o décimo capítulo da longa série de RPG de acção criada pela veterana Nihon Falcom.

Esta reinterpretação precoce de jogos já por diversas vezes aconteceu, e também de outros títulos da saga, com as óbvias tentativas de refinar sistemas, acrescentar conteúdo narrativo e expandir o mundo explorável, transformando uma aventura já bastante sólida na sua versão definitiva.

Em Proud Nordics, a história mantém o cenário marítimo inspirado em mitologia e cultura nórdica. A aventura decorre num arquipélago dominado por ilhas escarpadas polvilhadas por aldeias portuárias e mares infestados de criaturas conhecidas como Griegr. Durante a viagem, Adol cruza-se com Karja Balta, uma guerreira pertencente a um clã de navegadores e saqueadores – notoriamente inspirado por vikings, ainda que os autores façam o exercício adicional de alterar ligeiramente os nomes reais da nossa História – e onde a relação entre os dois personagens constitui o núcleo emocional de todo o enredo.

Uma das grandes novidades reintroduzidas em Ys X: Nordics foi precisamente a mecânica de combate em dupla. Ao contrário de jogos anteriores da série, em que controlávamos uma equipa de várias personagens alternando entre elas, aqui nós combatemos sobretudo com Adol e Karja.

Podemos lutar de forma independente, já que cada um tem o seu estilo de ataque, ou unir forças em ataques sincronizados que aumentam drasticamente o poder ofensivo. Esta abordagem dá ao combate um ritmo que o impede de ser excessivamente monótono, já que alternamos constantemente entre defesa e golpes coordenados.

Outro elemento central da aventura e que foi uma das grandes surpresas desta décima iteração foi a introdução da exploração marítima. Grande parte do mundo é navegada a bordo de um navio que nós comandamos, viajando entre ilhas, enfrentando monstros marinhos e nessas travessias descobrindo locais escondidos.

Embora o sistema de navegação seja relativamente simples, permite-nos a liberdade de descobrirmos segredos por nós mesmos: já que as ilhas variam entre ruínas antigas, fortalezas inimigas e pequenas povoações, muitas delas com histórias secundárias que aprofundam a densidade deste mundo. Esta nova edição introduz também áreas adicionais, para além de mais eventos narrativos, como a história secundária com os primos de Karja que nos permitem aprofundar o lore deste jogo, e deste mundo.

Somemos à temática de exploração marítima a capacidade de enveredar por batalhas navais – que embora sejam bastante simplificadas, nos permitem saborear algo diferente e inédito em toda a série.

Obrigatório para quem ainda não viajou pelos mares “escandinavos” da décima iteração, e opcional para aqueles que já lá dedicaram dezenas de horas (já que mergulhar nesta derradeira edição significa começar tudo de novo), Ys X: Proud Nordics surge como uma celebração da identidade da série: combates rápidos, exploração constante e uma narrativa de aventura clássica que nos leva aos primórdios do género e da série.

Para quem já há muito tempo acompanha as viagens de Adol, esta edição promete ser a forma mais completa de experienciar o décimo capítulo da saga, e como disse, para novos jogadores, representa também um excelente ponto de entrada num universo que há quase quatro décadas continua a reinventar o espírito do RPG de acção japonês, e não só.