
Não sendo um elemento obrigatório – até porque muitos jogos, de forma legítima, se querem focar exclusivamente na componente mecânica e lúdica – é impossível não definir os videojogos como uma expressão artística predominantemente narrativa.
Nova Antarctica, um peculiar indie recém-chegado ao Steam, quis provar isso mesmo, ao colocar todos os seus ovos congelados pelo ar inóspito da Antártida no mesmo cesto, e um que quer, sobretudo, contar-nos uma história.

E essa história é triste e melancólica, fazendo-nos vestir a pele de uma criança a tentar atravessar o Polo Sul sozinha, no ano de 2900. Sendo que o nosso protagonista se encontra em silêncio – e nem lhe vemos a cara sob o capacete do seu fato – é o ambiente à nossa volta, assim como os vestígios que vamos desenterrando quem nos dá algumas luzes sobre o que se passou.
Sejam os restos de expedicionistas falecidos, cujas últimas gravações ou registos escritos encontramos enquanto enfrentamos as agruras climatéricas da Antártida, de ponto em ponto encontramos elementos que nos permitem traçar, de forma simples, uma ideia do porquê de estarmos sozinhos, e o que aconteceu à Humanidade.

O invólucro utilizado para contar esta história é a de um survival game, onde a nossa stamina e os recursos contam, enquanto tentamos enfrentar os perigos que o jogo nos despeja. É que a história, e sobretudo a forma discreta como é contada – é sem sombra de dúvida o elemento mais positivo de Nova Antarctica – mas é apenas pano de fundo aos elementos mecânicos que são o cabeça de cartaz deste festival antártico.
A experiência de jogo, infelizmente, é mais atroz do que as condições climatéricas que o nosso protagonista enfrenta. Seja na constante necessidade de fazer scan ao que nos rodeia, seja a atabalhoada forma como lidamos com o crafting, há muito em Nova Antarctica que nos estraga a imersão num jogo que no meio de tantos elementos que necessitavam de ser repensados de uma ponta a outra, ainda consegue agarrar-nos no seu stoytelling emocional.

O jogo é também completamente impiedoso, e não acho que isso tenha de ser obrigatoriamente uma crítica. Mas há um grande desequilíbrio entre os parcos recursos e a forma recorrente como o clima da tundra nos penaliza. Ainda para mais quando as excessivas janelas de dicas do jogo não o colocam em pausa quando estão no ecrã.
Apesar do jogo já ter sido lançado, ainda há muito, muito a corrigir para salvar Nova Antarctica, e para permitir sanar os seus vários erros estruturais para que estes permitam que tenhamos vontade de permanecer neste jogo, e conhecer a sua história trágica, mas envolvente.













