
Ninguém tem a coragem de ir mais longe do que os criadores indie. Mesmo em experiências que à primeira vista são quase homenagens directas a jogos clássicos de arcada, há sempre talentosos indie devs a quererem levar esses tributos para a esfera de algo original.
Um desses casos é ChainStaff, um jogo indie recém-lançado onde o elemento central, como o nome indica, é o titular chainstaff. Esta ferramenta multifuncional funciona tanto como arma principal quanto como gancho ou ferramenta de locomoção, ditando desta forma toda a dinâmica da aventura.
Há uma transição fluida a que rapidamente chegamos, quando já nem pensamos nas mudanças de botão entre golpear inimigos e usar o cenário para nos balançarmos no ar – uma dinâmica de controlo e de arsenal circunscrita a apenas 3 botões que não só foi muito bem executada, como confere a ChainStaff um ritmo de jogo bastante frenético.

Há uma simplicidade honesta e simultaneamente enganadora no combate desenvolvido pela equipa do estúdio Mommy’s Best Games: em vez de nos sobrecarregar com combinações complexas de botões, o jogo prefere permitir que utilizemos o chainstaff de forma imaginativa.
Podemos arremessá-lo, cravá-lo no chão para que sirva de escudo ou de plataforma elevatória, ou um manancial de opções que ficam disponíveis ao premir o botão L2 no comando. Esta versatilidade de acções para uma única arma é uma das mais surpreendentes que já vi num videojogo, em especial num jogo bidimensional de inspiração retro.

Reconhecendo-lhe um imenso valor em termos de game design, na verdadeira inventividade de ChainStaff em criar algo diversificado e original mecanicamente, para o meu gosto, onde cai a nódoa no interessante pano deste jogo indie é na sua direcção de arte.
O design dos níveis e o desafiante combate, por sua vez, refletem uma clara intenção de nos desafiarem: os mapas são estruturados de forma horizontal, exigindo que dominemos todas as habilidades do titular bastão para que tenhamos sucesso. No entanto, é precisamente aqui que o jogo pode dividir opiniões, já que a curva de dificuldade é visivelmente acentuada desde cedo e o nível de exigência mecânica em certas secções de plataformas e a agressividade de alguns inimigos fazem com que a progressão seja assente na tentativa e erro.

Admitindo que esta consideração recai sobretudo na subjectividade, o elemento que menos me agrada em ChainStaff é mesmo a sua direcção de arte. Normalmente sou um grande apoiante de assets desenhados de forma tradicional, mas não sei se é da sobre-saturada paleta de cores, se do traço dos seus autores, mas há algo na apresentação visual deste jogo que me sabe extremamente naïf.
Chainstaff é um jogo com uma identidade bem definida e uma jogabilidade extremamente original, que pega nas fundações dos jogos de arcada e insere-lhe uma das armas mais multifacetadas de que há memória. Em tudo o resto não tenta reinventar a roda, mas quer ser uma opção perfeitamente divertida para os entusiastas da nostalgia que procuram testar os seus reflexos num ambiente retro bem construído.













