
Já há muito tempo que o cansaço mental dos dias cheios de trabalho e da própria vida me empurram para experiências videolúdicas nocturnas onde possa colocar o cérebro mais ou menos para o lugar do pendura, e deixar que a diversão pela jogabilidade mais pura se sente no lugar do condutor.
Não é por isso de surpreender que ande a dedicar tanto tempo a roguelikes e roguelites, sobretudo experiências que me permitam estar a ouvir as notícias, música, ou um podcast, enquanto tento desbravar caminho por dungeons, encarnando uma caveira flutuante.
Dizer que Skull Horde é apenas um auto-battler é algo injusto para com o próprio jogo, até porque o estúdio 8BitSkull tentou genuinamente fazer algo novo e interessante com este jogo enganadoramente simples.

O loop de combate vai beber a tantos outros bullet heaven games, mas direccionado num sistema de dungeon crawling. Mas ao contrário da maioria dos jogos do género, em Skull Horde, por sermos a cabeça auto-decepada de um necromante, não possuímos qualquer forma autónoma de nos defendermos, e dependemos da capacidade de erguermos criaturas para nos defenderem, e de servirem de seguranças inumanos que nos protegem as costas, ou vá, neste caso, a fontanela.
À semelhança de outros roguelikes, quando subimos de nível, somos presenteados com opções que nos permitem ser mais fortes. Mas aqui a forma de funcionar é ligeiramente diferente: ao invés de termos skills para escolher, temos a possibilidade de adquirir unidades esqueléticas, entre guerreiros, magos e muitas outras hipóteses, mas cada um com um custo monetário distinto dependendo da sua raridade.

É que a forma de ganharmos ferramentas cada vez melhores é através da combinação de unidades idênticas. Cada três esqueletos do mesmo tipo que tenhamos podem fundir-se na sua versão mais forte, de comuns para veteranos, e destes para campeões, com a proporcional escalada de poder associada.
O sistema de merge trazido por este jogo acaba por impactar as nossas escolhas, visto que temos slots limitadas para escolhermos esqueletos para lutarem ao nosso lado.

Em tudo o resto, o sistema mantém-se: é nestas escolhas e na tentativa-erro de perdermos, avançarmos na nossa meta-progressão e regressarmos a novas runs mais fortes que circunda este desafio, que, apesar de não reinventar a roda, sabe mergulhar-nos numa experiência desafiante e bastante bem balançada.
Mas um dos grandes méritos que tenho que dar a Skull Horde é a forma como souberam, através de pequenos filtros de ecrã, elevar a sua direcção de arte e a sensação artística para algo próximo da velha experiência de estar num salão de arcadas a jogar.

Skull Horde é um excelente jogo do género, uma surpresa que soube permitir-me mergulhar na sua acção e loop de tentativa e morte, e esquecer o mundo à volta.













