
Tantas vezes na minha vida tive alguém a ficar surpreendido por eu ter zero proximidade com gambling, mas adorar jogos. Não basta serem duas filosofias diferentes, em que na grande parte das vezes, no caso da primeira, a minha agência está entre o praticamente inexistente e o nula, e o facto de que não gosto de apostar dinheiro real.
Mas graças aos jogos indie – começou com Poker Night at the Inventory – e estendeu-se para Balatro, consegui encontrar um sítio interessante onde os elementos de gambling se fundiram com videojogo, eliminando pelo caminho os 2 factores principais que me afastam dos jogos de azar: a falta de agência e a perda de dinheiro vivo.

CloverPit, na sua abordagem que cruza o ambiente de terror e o gambling, veio trazer algo de diferente. E depois de passar muitas horas nas suas slots demoníacas, tropecei no seu primeiro DLC, Unholy Fusion, que traz ainda mais elementos e variáveis para cada run que primeiro se estranham, e depois nos esventram por falharmos os objetivos.
Como disse, as novidades de Unholy Fusion concentram-se sobretudo em novos sistemas e modificadores que expandem as possibilidades de cada tentativa: novas combinações de charms para as camadas adicionais de gestão de risco, e que reforçam uma ideia já presente no jogo original: cada decisão pode aproximar-nos da liberdade ou cavar ainda mais o buraco onde nos encontramos. Literalmente«. Lembremo-nos da portinhola sob os nossos pés.
Um DLC de 2,99€ onde o acaso continua a ser rei e senhor, mas onde a preparação ganha um peso maior do que a anteriormente existente.

Como tantas outras expansões de outros títulos, esta funciona melhor para quem já domina a linguagem específica de CloverPit, já que assume que conhecemos as regras, que percebemos a lógica dos seus sistemas e que estamos preparados para acrescentar novas variáveis à equação.
Por outro lado, na senda de adicionar mais mecânicas é fácil sentir que algumas mecânicas parecem acrescentar complexidade sem oferecer uma recompensa proporcional, enquanto outras enriquecem imediatamente a tomada de decisão e podem entrar no grupo restrito de escolhas obrigatórias para cada run.
O resultado é uma expansão e um conjunto de novas hipóteses algo irregular, onde as melhores ideias convivem lado a lado com sistemas que dificilmente se tornam dispensáveis.

Ainda assim, permanece intacta a estranha capacidade de CloverPit para transformar um gesto tão banal como puxar uma alavanca numa fonte constante de tensão, e poucos jogos conseguem fazer-nos sentir simultaneamente estrategas e vítimas da própria ganância. Unholy Fusion preserva esse equilíbrio delicado, acrescentando apenas novas formas de alimentar o ciclo, mantendo a experiência que vivemos sobre a ilusão de controlar a sorte.












