
Depois de mergulhar em tantos jogos nas últimas semanas que são essencialmente uma mistura de géneros em que me fartei de fazer figas para que resultassem, finalmente temos um caso em que tenho de admitir que tive de segurar o meu queixo por elementos tão improváveis funcionarem tão bem em adição uns aos outros.
Esse caso que já referi há uma semana no podcast Split-Chicken é Voidling Bound, um jogo que mistura third person shooter com um elemento improvável: monster collecting.

O mundo alienígena que exploramos é um lugar estranho e hostil, onde a sensação de descoberta pesa muito mais do que qualquer potencial marcador de objetivo colocado no mapa. É que Voidling Bound vai beber a elementos de Spore, e dificilmente os seus autores poderão indicar que não se inspiraram nesse clássico perdido de há 20 anos.
Em Voidling Bound o combate existe, a progressão também, mas tudo parece subordinado ao desejo de explorar as evoluções biológicas dos animais alienígenas que encontramos. Desbloquear caminhos evolutivos numa criatura e decidirmos se queremos que os seus ataques sejam de fogo, de veneno ou que ganhe agilidade ou defesa.

O problema que rapidamente percebemos é que nas linhas de forças e fraquezas, há um elemento que é simplesmente mais forte que os outros: plasma. Admito que, apesar de andar a fazer alguns testes evolutivos, cedi simplesmente à tentação de focar a evolução das minhas criaturas nas suas versões de plasma e acabei por, sem grande dificuldade, partir a campanha como um bulldozer.
Apesar da componente TPS ser interessante, já que nas nossas aventuras fora da nave tomamos o controlo de uma das criaturas que criámos, é a componente de evolução de criaturas a mais interessante. Tudo é feito, como já indicado com sistemas de caminhos e ramificações, sendo que no final de cada uma dessas raízes está uma mutação especial.
Existe um componente de meta-progressão em Voidling Bound (e quem é que não o tem nos dias de hoje?) já que podemos mudar o ADN de espécies, e isso vai reflectir-se em todas as criaturas similares que criemos, independentemente das suas evoluções, criando um ciclo transversal a todos.

O elemento final nesta genengenharia é algo que os jogadores de Pokémon estão habituados – e que normalmente eu vejo pouco interesse em aplicar-me – que é a capacidade de juntar 2 espécies diferentes para obter ovos que mantenham as características dos pais.
Visualmente, encontra uma identidade própria através da combinação de ambientes coloridos e alienígenas, com as criaturas a acompanharem esta familiaridade de estilo.

Acreditando que irão alcançar o fim da campanha relativamente rápido, podem esperar ainda a abertura para um modo intitulado Abyss, onde podemos tentar ultrapassar um número crescente de níveis e decidindo sempre quando parar com todos os nossos recursos intactos. Com uma jogabilidade e combate na terceira pessoa que respondem ao esperado do género sem nunca surpreender, é mesmo o elemento de criação genética e cruzamento e evolução de criaturas que faz Voidling Bound elevar-se com alguma distinção num género que tem tido muitas abordagens, mas raras são as que se sentem como originais.
Terem olhado para Spore em vez de Pokémon pode ter sido uma das decisões mais inteligentes que poderiam ter tomado.













