Esta semana no “jogos que são uma coisa misturada com roguelike” temos um jogo que na realidade vem revelar de imediato a sua “inspiração” noutro indie de sucesso com um nome que se fosse mais genérico, tinha que ter a aprovação do Infarmed.   

Neste novo capítulo de uma onda em que tenho vivido nas últimas semanas, a de jogar roguelikes e roguelites como se estes fossem os únicos jogos disponíveis no mercado, a um ponto que eu temo que esteja a aproximar-me da náusea. Não porque os jogos sobre o qual me tenho debruçado sejam maus per se (ainda que alguns sejam), mas porque este nível de experimentação, como esperado, tem sido hit and miss.

E não é que A Little Physics Roguelike seja mau, mas tenta imitar Peglin, um título que já faz de forma melhor tudo o que ele tenta fazer. Pachinko roguelike, com uma direcção de arte ainda mais simples, mas que apesar da solidez mecânica, nos está constantemente a lembrar que o título de 2021 do estúdio Red Nexus Games tem, sobretudo, muito mais personalidade.

Apesar de me ter divertido bastante com A Little Physics Roguelike, penso que a melhor forma de o definir é como uma versão ainda mais familiar de Peglin: o desafio não é tão abrupto, as cores planas e saturadas fazem dele uma experiência mais “fofa”, e não é de todo tão punitivo quanto outros roguelikes.

Em A Little Physics Roguelike o quadro de pachinko é a nossa build, já que são os “pinos” que servem de caminho os locais que podemos adicionar com elementos escolhidos por nós. O layout vai sendo alterado de forma a que consigamos criar caminhos que não só possam derrotar os inimigos que temos de derrotar, mas também que criem multiplicadores de ataque e de dinheiro, exponenciando o número de “moedas” que temos em cada run.

As nossas moedas são, na realidade, umas criaturinhas que nos lembram uns Patapon coloridos, e que só interagem com upgrades que instalámos no tabuleiro que tenham a mesma cor. Tentar criar caminhos no layout que tirem o máximo de partido de cada cor é um dos grandes objectivos que temos em A Little Physics Roguelike.

O grande problema de A Little Physics Roguelike, diria, é mesmo a sua familiaridade. É que dentro da variabilidade e desafio crescente e sempre diferentes do jogo que lhe serve de inspiração, Peglin, este, por sua vez, demonstra que as suas ideias se esgotam muito rapidamente e que aquela sensação aditiva deste tipo de jogos (dos quais Balatro é um brilhante exemplo) acaba nunca por chegar.

Rapidamente vimos a maioria dos upgrades e obstáculos a colocar no tabuleiro de Pachinko, e por outro lado, a simplicidade visual acaba por tornar-se excessivamente monótona, e penso que mesmo no ecrã de telemóvel – se este jogo lá existisse – rapidamente perderia o seu apelo.

Não sendo um jogo terrível, é impossível não o desaconselhar quando sabemos que facilmente em promoção podemos comprar Peglin por um preço similar. A Little Physics Roguelike não tem conteúdo nem longevidade suficientes para nos manter investidos ao longo de muitas horas, como um roguelike o faz, nem tem diversidade suficiente para manter um leve semblante de frescura na sua jogabilidade.