Ver os Bossa Studios a saltarem dos seus jogos-paródia e a apostarem num open-world sandbox/MMO sobre piratas do ar num mundo pós-cataclismo parece tão provável a Electronic Arts e a Ubisoft fazerem um jogo em que não desejam a nossa alma acoplada ao número do nosso cartão de crédito. Mas Worlds Adrift vem então cumprir com essa improbabilidade estatística ao trazer-nos um promissor jogo, que infelizmente neste momento ainda se encontra muito…cru.

O objectivo do jogo, aquando do lançamento, será simples: construir um navio flutuante e sozinho ou acompanhado explorar as milhares de ilhas que compõem este mundo, na tentativa de desvendar os vestígios da civilização perdida.

Como quase todos os jogos do género, temos de encontrar recursos a partir de árvores e pedras, desbastando-as com uma arma/luva que teleporta automaticamente os recursos para o nosso inventário. Essa mesma luva serve também para obter informações vitais para a construção do navio, e para isso basta-nos estender um cabo para criar uma ligação neural com os objectos em que tocamos.

Uma novidade da locomoção deste Worlds Adrift é a utilização de um arpéu, também ele atirado a partir de uma manopla. Habitualmente este tipo de survival games vive quase exclusivamente da movimentação na terra, mas o arpéu vem dar-lhe a verticalidade que falta a muitos jogos do género. E é claro que para quem joga jogos do Batman desde os primórdios, é impossível não encontrar paralelismos e uma sensação de déja-vu.

Entre aquilo que os Bossa Studios têm em mente e aquilo que existe agora ainda vai uma grande distância. A sensação de tripulações e piratas do ar, com navios estrutural e tecnologicamente feitos para cumprir a missão de nos locomover pelos ares será, quando e se o jogo for terminado, uma conquista solitária e colectiva, e será aí que veremos o quão longe conseguiremos ir na nossa exploração pelo mundo.

Por agora, como seria de esperar, não existem muitos jogadores. E os que existem aproveitam-se do quão “sanguinário” o jogo é, não do ponto de vista de violência gráfica, mas o quão feroz é todo o jogo. É verdade que é um jogo de piratas, mas neste momento a probabilidade de mantermos aquilo pelo qual tanto lutamos é quase zero. Se fizermos logoff tudo o que temos fica exposto a outros jogadores que por acaso venham a parar na ilha onde estávamos. E “tudo o que temos” refere-se à nossa nave que pode ser destruída ou desmantelada, ou mesmo roubada por outros jogadores, para além do nosso baú de inventário que fica paradinho, e acessível a qualquer jogador que interaja com ele.

Worlds Adrift vai promover este tipo de competição feroz, com a possibilidade de tripulações se abordarem umas às outras e andarem a trocar tiros para perceber quem sobreviverá. O mundo persistente deitará por terra os destroços dos navios destruídos, cujos destroços permanecerão nas ilhas onde caírem. Característica essa que já existe hoje, e logo no meu primeiro contacto com Worlds Adrift dei de caras com o que restava de um navio “naufragado”, com componentes que são facilmente reparáveis e adaptáveis a um futuro navio.

A estética do jogo é algo que sai fora do genérico-survival com pretensões de ser realista mas cuja qualidade gráfica fica a milhas disso. A linguagem muito própria que os Bossa Studios imprimiram a Worlds Adrift deram-lhes a devida forma de se destacarem, com as suas figuras esguias quase cartoonizadas e evidenciarem-se perante os humanos genéricos do shovelware que pulula o Steam.

Com um jogo com temática semelhante a receber lançamento daqui a pouco tempo e feito por uma histórica dos videojogos, Worlds Adrift pode acabar por perder o seu espaço e oportunidade para um dos jogos que mais anseio este ano, Sea of Thieves. Caberá apenas perceber a demora no desenvolvimento e o quanto será próximo do conceito original para sabermos se Worlds Adrift merecerá a nossa atenção.