The Editor’s Choice é sempre um nome pomposo que soa mais importante do que é. Aqui no Rubber Chicken a explicação do porquê de eu usar este título para o meu Top prende-se com o facto de que o meu co-editor, o João Machado, tem um Top só seu e que, graças ao seu apelido, se intitula Os Machados do Ano. Apesar de eu gostar muito do meu apelido, a realidade é que As Melhores Correias, ou As Correias do Ano soa mais a catálogo de utensílios de BDSM ou de equitação do que qualquer coisa com piada. Assim sendo, e posto isto, aqui ficam as The Editor’s Choices para 2016.

Pela enésima vez resta-me acautelar-vos que este top corresponde única e exclusivamente à lista de jogos jogados por mim. Bem sei que a probabilidade de Inside, Virginia, ou até mesmo Uncharted 4 de virem aqui parar seria merecido, mas infelizmente de entre os cerca de 100 jogos que joguei este ano, muitas dessas pérolas consensuais não foram algumas das afortunados.

  1. Ratchet and Clank

Não esperava que um remake alguma vez viesse parar a um top de melhores jogos do ano. Isso ou é sinal da qualidade do ano que tivemos, ou então é mesmo Ratchet and Clank, esta nova versão que acompanha o filme que é sem sombra de dúvidas um dos melhores action platformers que o mercado tem para oferecer.

  1. Digimon Story: Cyber Sleuth

Sempre achei os jogos de Digimon terríveis, sem qualquer sentido e a milhas tanto da série como da imensa qualidade dos jogos de Pokémon. Mas foi o gigantesco sinal de maturidade de Digimon Story: Cyber Sleuth que pegou na fórmula mecânica de Pokémon e elevou os jogos de Digimon para outro patamar. O que faz com que pela primeira vez, num top anual meu, um jogo de Digimon entre para os 10 melhores e um de Pokémon não. Ainda que, como verão mais abaixo, Sun & Moon mereça um prémio muito especial.

  1. Fire Emblem Fates

Apesar da pouca ou nenhuma inovação, parece que a a Intelligent Systems é incapaz de produzir um mau jogo, e muito menos um jogo de Fire Emblem que seja sequer mediano. É uma espécie de super-poder dos criadores japoneses. Tivessem os argumentistas rompido com algumas barreiras e clichés e Fire Emblem Fates teria escalado ainda mais o meu top pessoal.

  1. Phoenix Wright: Ace Attonrey – Spirit of Justice

Outra série que, a par de Fire Emblem, parece não conseguir ter um mau jogo ou um jogo abaixo de bom. Spirit of Justice é a mais recente iteração de uma das minhas séries favoritas, mas que consegue ser o único farol de qualidade consistente no ilhéu selvagem que é a Capcom.

  1. Samorost 3

Num pleno de “estúdios ou franquias que parecem não ter margem para erro” está obviamente o estúdio checo Amanita Design. Samorost 3 é mais uma prova da linguagem verdadeiramente única que as criações destes checos como uma linha de comunicação única, com uma estética tão reconhecível e apurada que esta construção de mundos nunca poderia ser repetida.

  1. The Flame in the Flood

Os jogos de sobrevivência têm sofrido da utilização de uma fórmula gasta, repetida à exaustão, e que para mim desde Don’t Starve pouco ou nada conseguiram auto-repensar-se. The Flame in the Flood foi o único nos últimos anos que conseguiu fazer-me esquecer a grande obra da Klei e fazer-me suplantá-la como o standard para o género. E um dos jogos que mais passou debaixo do radar de todo o mundo.

  1. Headlander

Tenho saudades de um Metroid. Não digo apenas um metroidvania, digo um Metroid, preferencialmente um bidimensional, que desde Metroid Fusion a ansiedade tem sido apenas crescente. Headlander veio de uma certa forma colmatar essa saudade com um dos metroidvanias mais interessantes e bem-executados de que tenho memória, e parece ser um chamariz para a Nintendo matar esta saudade que teima em não desaparecer.

  1. Project Highrise

Se no ano passado eu tive de atribuir o prémio de melhor jogo do ano a Cities: Skylines, pela forma como pegou nas mecânicas de Sim City e executou-as de forma exímia, aprimorada, elevando o objecto de inspiração original para outro patamar, então este ano tive um caso similar com este Project Highrise. Com óbvias influências de Sim Tower, Project Highrise está tão solidamente estruturado que facilmente se tornou um dos jogos no qual perdi mais horas este ano. E um dos 3 melhores que joguei sem sombra de dúvida.

  1. Severed

Tinha sérias dúvidas se os DrinkBox Studios teriam a capacidade de mudar o tom e a abordagem às suas criações, depois do verdadeiramente sublime Guacamelee. Severed foi essa resposta taxativa: a prova cabal que não só é possível manter a linha estética poderosíssima do estúdio como trazê-lo para uma abordagem séria, emocionalmente violenta, num metroidvania/dungeon crawler na primeira pessoa que explora da melhor forma as mecânicas das consolas e dos dispositivos portáteis, revelando que se há algo que ninguém pode acusar os canadianos do estúdio Drinkbox é de serem one trick ponies. Muito pelo contrário.

  1. The Last Guardian

Até Dezembro chegar a minha lista era perfeitamente idêntica, com uma pequena diferença: o primeiro lugar era ocupado por Severed, o segundo por Project Highrise e assim por diante. A chegada de mais uma obra de Fumito Ueda foi um autêntico statement emocional e artístico, assumindo o seu lugar cimeiro nas minhas preferências pessoais, num ano marcado por diversos bons jogos, por alguns muito bons jogos, mas com poucos casos excelentes. Se daqui a uns anos olhar para trás vou ter a certeza como posso definir com exactidão 2016. Foi o ano de The last Guardian.

Menções Honrosas:

Não conseguindo chegar aos Top 10 da minha lista, há 4 jogos que merecem uma menção Honrosa, e cuja explicação pode ser verificada nos respectivos artigos que os acompanham. Esses 4 jogos são: Beat Cop, Factorio, Stories: Path of Destinies e Kirby Planet Robobot.

Melhor jogo familiar:

Apesar de não ter saído no nosso território e ainda (e com sérias dúvidas que alguma vez tal aconteça), e também apesar de ter sido lançado no final de 2015 (altura em que o adquiri), só o comecei a jogar este ano. Lego Dimensions é o jogo que cá em casa mais jogámos, e apesar de já nos ter feito gastar muito mais dinheiro do que algum dia esperámos em gastar (comprámos todo o Year 1 por exemplo, e já começámos a comprar o Year 2), a união de brinquedos e jogo que Lego Dimensions traz torna-o na derradeira experiência familiar. Que o digam um pai e um filho muito dedicados com centenas de horas de jogo.

Melhor jogo cooperativo:

Não fosse a impossibilidade de dois jogadores partilharem a mesma figura de Lego Dimensions, e era possível que também tivesse vencido este prémio. Mas a TT Games arrebata-o ex aequo entre os seus dois magníficos Lego Star Wars: The Force Awakens e Lego Marvel’s Avengers, para além de um genialmente divertido e criativo Overcooked lançado pela Team 17.

Melhor jogo competitivo:

Esta era difícil de escolher. Tivesse ficado mais feliz com Street Fighter V e certamente essa seria a minha escolha mais óbvia, ou qualquer um dos muitos 2D fightning games japoneses que me chegaram às mãos este ano. Mas depois de puxar bastante pela memória lembrei-me que o jogo competitivo que mais joguei este ano foi mesmo Tricky Towers, o jogo que esteve gratuito para PS4 e que fez as delícias aqui em batalhas no sofá.

Melhor jogo para uma consola portátil:

Tinha de ser, e não é apenas fanboyismo meu. Pokémon Sun and Moon pode não conseguir afastar nenhum dos meus jogos do Top 10, mas é inegável que o novo setting aliado às mudanças mecânicas que o jogo recebeu o tornaram o melhor exclusivo de consolas portáteis, e que continua a brilhar em todo o seu esplendor ao ser jogado na excelente (mas em fim de vida) 3DS.

Melhor jogo mobile:

O gigantesco Reigns esteve até Dezembro invicto no topo das minhas escolhas para melhor jogo mobile. Mas foi o regurgitante aparecimento de Eggggg há três semanas que empurrou à força do vómito Reigns para longe do prémio. Apesar de serem ambos excelentes jogos de mobile, Eggggg é superior do ponto de vista técnico e artístico.

Desilusões do ano:

As razões estão descritas nos artigos que os acompanham, mas sem dúvida que os 3 jogos que eu mais esperava que marcassem o ano acabaram por ser as minhas maiores desilusões. Falo é claro de We Happy Few, Mighty nº9 e The Technomancer.

Piores do ano:

Estive a rever profundamente todos os artigos que escrevi e acabei por perceber que me era difícil escolher os piores jogos do ano. Num ano relativamente ameno e com falta de polarizações, a escolha do pior foi igualmente difícil. Ainda assim Rodea the Sky Soldier, a terrível versão de Wii U e Omnibus, são do pior que joguei este ano. E isto tendo em conta que joguei muitos jogos em Early Access para além de pequenos indies que deixavam muito a desejar à qualidade, mas que não desciam ao patamar onde estes 2 jogos estão. Felizmente diria eu.

E fica assim o nosso Editor’s Choice. O ano de 2017 tem tudo para ser mais memorável, e é exactamente isso que esperamos. De onde estamos há possibilidade de irmos sempre a subir a partir deste patamar.