
A Hora do Meh #33
Não sei o que me deixa mais feliz: o facto de no meio de tantos jogos que recebemos por semana terem alimentado apenas 33 edições d’A Hora do Meh ao longo de todos estes anos, ou se os meus trocadilhos com a palavra meh para os títulos estarem a assumir-se como perfeitas dad jokes.
Dói-me especialmente no coração ver o género da simulação a entrar por caminhos tão estranhos quanto estes que estes 3 jogos indie enveredaram. E já estou como o outro: joguei-os, para que quem nos lês não tenha de perder o seu tempo nem o seu dinheiro.
Isolationist Nightclub Simulator [PC]

Eu até nem sou um tipo de borgas, e ainda há pouco tempo revelei no Split-Chicken que dei por mim, com um headset bluetooth na cabeça e uma playlist no Spotify do que costumava dançar nas noites góticas do Metropolis, a limpar a casa e a dançar em pijama e roupão.
Quando vi o anúncio de lançamento de Isolationist Nightclub Simulator pensei que seria a expressão de alguém a passar pelo mesmo que eu: a encontrar uma forma de extravasar a saudade de dançar e de se divertir fora de casa. Sintomas de um confinamento prolongado, diria. E, sob alguns aspectos é.

Mas Isolationist Nightclub Simulator acaba por ser apenas um conjunto de ideias atiradas para um espaço tridimensional, que se esgotam em poucos minutos. Podemos beber as bebidas espalhadas pela discoteca e sentir os efeitos que elas nos dão, ou interagir com as máquinas de luzes, arcadas ou mesa de mistura. Mais uma dúzia de graffitis e tabuletas espalhadas pelas paredes a piscarem-nos os olhos de ter sido uma experiência feita em plena pandemia que vivemos, e é isso.

Há formas mais sensatas de gastar 3,99€. Como este saco reutilizável de tecido que se transforma num ananás.
Alien Life Simulator [PC]

Ainda em Early Access, Alien Life Simulator tem o condão principal de me deixar até hoje a pensar quem raio escolheu este nome. É que eu até pensei que ia mergulhar num jogo que cruzasse, sei lá, Animal Crossing com Spore. Com este título, penso que ninguém iria inferir outra coisa que não fosse este resultado.
Mas… Alien Life Simulator é um roguelite 3rd person shooter, ou pelo menos assim os seus criadores o descrevem. Andamos por diversos ambientes à procura de portais, tentando sobreviver à hostilidade das criaturas que lá habitam, temos que ter cuidado com a nossa fome e assim sucessivamente. Passamos de portal em portal e quando morremos, começamos tudo de novo, sem qualquer progressão do que fizemos anteriormente.

Ainda estou à procura do que é que faz deste jogo um roguelite.
Pelo meio há um sistema de emoções muito mal-explicado que nos pode dar buffs ou debuffs. Mas que no fim acaba por ser tudo como o próprio jogo: bizarro e relativamente aleatório.

E não se deixem enganar pela interessante palete de cores e a aparente criatividade dos screenshots: aquilo que vão ver com o jogo a funcionar vai ser muito, muito pior.
Ranch Simulator – The Realistic Multiplayer Agriculture Management Sandbox; Farm, Harvest, Hunt & Build [PC]

É óbvio que lhe vamos chamar apenas Ranch Simulator, já que o comprimento do título é inversamente proporcional à qualidade do jogo. Um literal simulador (talvez aquele que mais mereça ter esse substantivo no título de todos os que falamos hoje) que promete a vida de um rancheiro num mundo aberto e sandbox que ainda tem elementos de multiplayer.
Eu sei que existe um mercado tremendo dos simuladores, e eu próprio já caí no buraco do coelho de alguns deles, e consegui perceber o que faz deles experiências tão cativantes. A própria Excalibur – a editora deste Ranch Simulator – já me deu muitas experiências positivas no ambiente dos simuladores.

Sabendo também que Ranch Simulator está em Early Access, é-me impossível fechar os olhos ao quão horrível este jogo está visualmente, com os screenshots – mais uma vez – a venderem um jogo que não é este.
A qualidade visual deste Ranch Simulator está próxima de um jogo banal de 2004, o que é dizer muito.

Se neste momento este jogo ainda é meh, a sua promessa de um extremo realismo na simulação da vida de um fazendeiro poderá um dia vir a torná-lo uma boa experiência. Por enquanto: uma perda de tempo. Quase tanto como Lumberjack’s Dynasty.













