
Já aqui tinha descrito como os side scrolling beat’em ups têm sido um género preferencial de partilha de jogo com o meu filho mais novo, e até, em raras ocasiões, em que o mais velho também se junta a nós para uma sessão de esmagar botões e atirar inimigos bidimensionais contra o ecrã.
Quase 11 anos depois de ter jogado a um spin off chibi de uma série de luta 2D que tanto me agrada, eis que surge a versão Ultimate, repensada e remasterizada para os dias de hoje para um jogo que passou tempo perdido na tragicamente esquecida Vita.

Diria que todas as moedas de 20$ e 50$ que gastei em máquinas de arcadas de cafés em Lisboa deixaram uma marca indelével em mim, que me apaixona até hoje por 2D brawlers. Não colocando as questões da pouca supervisão que era feita no final dos anos 1980 e início dos 1990, em que qualquer menor podia jogar nestas máquinas sem qualquer entrave dos proprietários dos estabelecimentos, mas a verdade é que estes festivais de pancadaria faziam do miúdo altamente pacato (que era eu) um verdadeiro Steven Seagal dos side scrolling beat’em ups.
Este Phantom Breaker: Battle Grounds Ultimate é um pseudo-spin-off de um fighting game de sucesso no Japão, de seu nome Phantom Breaker. A grande diferença deste brawler agora da Rocket panda Games é mesmo a mudança de género e a apresentação. E admito que foi este ponto uma das grandes conquistas de PB: BGU. O visual chibi das protagonistas e dos vilões, o tratamento 16 bits que nos remete para grandes nomes do género como Streets of Rage e TMNT, assim como a diversidade de inimigos (e a criatividade nos seus concepts) fazem deste PB: BG um divertido brawler que nos mata aquela fome pelo género. Pelo menos a quem a tem.

Phantom Breaker: Battle Grounds Ultimate dispõe de um enredo mediano e olvidável, e que é apenas uma ferramenta nipónica para justificar toda a pancadaria e button-mashing que o jogo possui. Mas apelando à nossa total honestidade: há alguém que jogue um button-mashing brawler pelo sua história? Ou o que queremos é que as sequências de acção, as animações, os inimigos, os combos, os ataques e a diversão estejam presentes? É que neste aspecto, PB: BGU possui de forma eficaz todos os pontos que queremos ver num 2D side scrolling beat’em up, falhando apenas em alguns aspectos.
O maior de todos é a sua (falta) de dificuldade. É verdade que a nossa experiência pessoal com o género e as dezenas de títulos que joguei nos últimos 24 anos que me obrigaram a esmagar furiosamente botões para espancar inimigos, conduziram a um certo know-how básico do que fazer em brawlers. Valha-nos que cada personagem tenha o seu estilo distinto, e a profundidade dos combos nos permita um domínio progressivo que compensa a falta de dificuldade.

Phantom Breaker: Battle Grounds Ultimate mergulha-nos num Japão estilizado onde o caos reina: jogamos como protagonistas de um universo paralelo ao de Phantom Breaker, a combater vagas de inimigos numa sucessão de níveis cheios de cor, movimento e muitos pixéis. A acção decorre num plano 2.5D, com os personagens em estilo chibi a desfilar por ecrãs cheios de detalhes, permitindo-nos executar combos devastadores para derrotar mãos-cheias em forma de punho de inimigos de cada vez. A estética pixel art do jogo original de Vita foi inteiramente recriada em alta definição, mas agora com uma fluidez e nitidez que a transportam directamente para o presente.
Phantom Breaker: Battle Grounds Ultimate é um bom brawler que nos diverte e cujas animações, movimentos e demais cenas de acção respondem ao que qualquer fã de button-mashing e pancadaria injustificada aprecia. Não fosse o conteúdo que apresenta ser excessivamente curto, e este PB: BGU seria um dos melhores retro-brawlers disponíveis no mercado actualmente.













